Unidades Hounsfield: a régua de densidade da tomografia
Na TC, cada ponto da imagem tem um número que mede sua densidade. Entender essa régua transforma “manchas de cinza” em tecidos que você consegue identificar objetivamente.
A escala de Unidades Hounsfield (HU) é calibrada em dois pontos fixos: a água vale 0 e o ar vale −1000. A partir daí, cada tecido ocupa uma faixa característica — e é isso que permite dizer, a partir do número, se algo é gordura, líquido, partes moles ou cálcio.
A tabela que vale a pena guardar
Valores típicos por tecido (aproximados — variam com técnica, contraste e equipamento):
| Estrutura | HU típico |
|---|---|
| Ar | ~ −1000 |
| Gordura | ~ −100 a −50 |
| Água / líquido simples | ~ 0 |
| Partes moles / músculo | ~ +30 a +60 |
| Sangue coagulado (agudo) | ~ +50 a +80 |
| Osso / cálcio | ~ +300 a +1000 ou mais |
Como se mede na prática
Você mede a densidade posicionando uma ROI (região de interesse) sobre a estrutura: o sistema devolve a média de HU naquela área. É assim que se responde a perguntas objetivas — aquele nódulo tem gordura dentro? aquela coleção é líquido ou sangue? aquilo calcificou?
Um ponto importante: o HU é uma propriedade dos dados, não da tela. Ele não muda quando você troca a janela — o janelamento só altera como você enxerga a mesma densidade. Densidade se mede com a ROI; contraste visual se ajusta com a janela.
Erros comuns
- Estimar densidade “no olho” pela cor da tela, em vez de medir a HU com a ROI.
- Comparar HU entre exames com e sem contraste como se fossem equivalentes.
- Colocar a ROI muito grande, misturando dois tecidos e “diluindo” a medida.
Pratique agora
No Reconstrutor, abra um estudo e use a ferramenta de ROI para medir a HU de diferentes tecidos — compare ar, gordura, músculo e osso.