RM de abdome superior (feminino): fígado, vias biliares, pâncreas e adrenais
O andar superior do abdome concentra fígado, pâncreas e adrenais — órgãos que a RM lê com apneia, contraste dinâmico e um punhado de truques de sinal.
A RM de abdome superior estuda fígado, vias biliares, pâncreas, baço, adrenais e a porção alta dos rins. O andar superior é o mesmo em ambos os sexos; a variante do protocolo costuma diferir apenas em preset e fluxo do serviço. É um exame de apneia, com T1 in/out-phase, colangio-RM e dinâmico. Este guia mostra a lógica.
Quando esse protocolo é pedido
- Lesão hepática a caracterizar (cisto, hemangioma, HNF, adenoma, metástase, CHC).
- Vias biliares e pâncreas (colangio-RM): cálculo, estenose, massa.
- Adrenais: adenoma × outras lesões (chemical shift).
- Esteatose e sobrecarga de ferro (in/out-phase).
Como se planeja: o que faz este protocolo diferente
- Apneia reprodutível (ou navegador) — treine o paciente.
- T1 in/out-phase: gordura cai no out; ferro cai no in.
- Dinâmico multifásico: pré, arterial, portal, venoso, tardio (acertar a fase arterial é o crítico).
- Colangio-RM (MRCP) para a árvore biliar.
- DWI como complemento, lida com o ADC.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Papel |
|---|---|
| T2 (HASTE) axial/coronal | Anatomia, líquido, cistos |
| T1 in/out-phase | Gordura e ferro; adrenal |
| MRCP (thick-slab + 3D) | Vias biliares e ducto pancreático |
| DWI + ADC | Lesões, restrição |
| Dinâmico pré/arterial/portal/venoso/tardio | Caracterização de lesão hepática |
Armadilhas comuns
- Errar a fase arterial: é a que caracteriza a lesão hepática — use bolus tracking/test bolus.
- Apneia inconsistente desalinha as fases.
- Ler DWI sem ADC.
- Confundir queda de sinal: gordura (out-phase) × ferro (in-phase).
Checklist rápido
- Apneia treinada; triagem de segurança de RM.
- T2 HASTE, T1 in/out, MRCP, DWI+ADC.
- Dinâmico multifásico com timing arterial.
- Interpretação é do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
Abdome e pelve vivem de plano e relação espacial: reconhecer o órgão-alvo, alinhar cortes ao seu eixo e acompanhar uma estrutura entre fatias. Treinar a ler axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a reformatar planos oblíquos de um volume — é o hábito que transfere direto para esses exames.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito que sustenta o planejamento de abdome e pelve.