Angio-RM pélvica e das ilíacas: a ponte para os membros
A pelve é o cruzamento onde a aorta se divide e o sangue segue para as pernas. Estudar as ilíacas é muitas vezes o primeiro andar de um mapa que vai até os pés — e o lugar onde a claudicação começa.
A angio-RM pélvica estuda as artérias ilíacas (comum, interna e externa) e as femorais comuns, a ponte entre a aorta abdominal e os membros inferiores. É feita com CE-MRA 3D e frequentemente é a primeira estação de um estudo run-off das pernas. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Doença arterial obstrutiva (claudicação de nádega/coxa): estenose/oclusão ilíaca — a mais comum.
- Avaliação pré-intervenção (angioplastia/stent, bypass) e acessos.
- Aneurisma de ilíaca, malformações arteriovenosas pélvicas.
- Congestão venosa pélvica e síndrome de May-Thurner (compressão da ilíaca comum esquerda) — na fase venosa.
A técnica
- CE-MRA 3D coronal cobrindo a bifurcação aórtica → ilíacas → femorais comuns, com timing arterial (tracking/test bolus).
- Quando faz parte do run-off de MMII, a pelve é a 1ª estação — o bolus é "perseguido" para as pernas (veja o protocolo de MMII).
- Fase venosa para pergunta venosa (May-Thurner, congestão pélvica, trombose).
- Injetora, máscara/subtração e MIP; bexiga não muito cheia ajuda o conforto na apneia.
A rotina de sequências
| Série | Papel |
|---|---|
| Localizadores | Posicionar o volume da bifurcação às femorais |
| CE-MRA 3D coronal — fase arterial | O centro: ilíacas e femorais comuns |
| Fase venosa / tardia | Ilíacas venosas (May-Thurner), congestão pélvica |
| Máscara + subtração / MIP | Isola os vasos; revisar as fontes |
Lendo o exame
- Estenose/oclusão ilíaca: localização e extensão, circulação colateral.
- Nível da doença: aorto-ilíaca (influxo) × femoropoplítea — orienta a conduta.
- Venoso: compressão da ilíaca comum esquerda pela artéria (May-Thurner), varizes pélvicas.
Armadilhas comuns
- Timing e contaminação venosa: a pelve tem retorno venoso rápido — a fase arterial pura é breve.
- Movimento e apneia: reforce a colaboração; bexiga muito cheia atrapalha.
- Stent metálico: artefato pode mascarar a luz.
- Cobertura curta: incluir a bifurcação aórtica e as femorais comuns (as pontas da ponte).
Checklist rápido
- Acesso venoso de bom calibre e injetora; triagem de segurança de RM.
- CE-MRA 3D coronal bifurcação → femorais comuns, timing arterial.
- Fase venosa quando a pergunta é venosa (May-Thurner/congestão).
- Máscara + subtração, MIP, revisar as fontes.
- Interpretação (estenose, nível da doença) é do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
Seguir uma ilíaca da bifurcação à virilha, num mapa que se gira, é raciocínio espacial. Treinar a reconhecer os vasos pélvicos em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara o olho para acompanhar o vaso e localizar o nível da doença.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com reformatações e medições. É o hábito que faz você seguir um vaso sem se perder.