Angio-RM da aorta torácica: aneurisma, dissecção e o arco
A aorta torácica é um vaso grande que se mexe a cada batimento e a cada respiração. Estudá-la por RM — muitas vezes sem radiação e sem iodo — exige domar esse movimento com sincronismo e escolher bem entre com e sem contraste.
A angio-RM da aorta torácica avalia a raiz, a aorta ascendente, o arco e a aorta descendente. É especialmente útil no acompanhamento de doenças crônicas (aneurisma, pós-dissecção, valva bicúspide) porque não usa radiação nem contraste iodado. A técnica combina CE-MRA 3D (com gadolínio) e sequências sem contraste como a bSSFP, sempre com sincronismo cardíaco e respiratório. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante — e situações agudas costumam ir para a angio-TC.
Quando esse protocolo é pedido
- Aneurisma da aorta torácica: medir diâmetro e acompanhar ao longo do tempo.
- Dissecção (crônica) e seguimento pós-tratamento: luz verdadeira × falsa, flap, ramos.
- Coarctação e anomalias do arco (arco direito, artéria lusória), valva aórtica bicúspide.
- Avaliação pré e pós-operatória, muitas vezes em jovens (evitar dose repetida).
A técnica: domar o movimento
- Sincronismo cardíaco (ECG): congela o batimento; essencial na raiz e ascendente, que mais se movem.
- Sincronismo respiratório (apneia ou navegador): reduz o borramento respiratório.
- CE-MRA 3D com gadolínio em bolus e timing arterial (tracking/test bolus), plano sagital oblíquo alinhado ao arco.
- bSSFP (SSFP balanceada) sem contraste: sangue claro, ótima para anatomia e diâmetros no seguimento.
- Contraste de fase quando se quer fluxo (gradiente na coarctação, regurgitação valvar).
A rotina de sequências
| Série | Papel |
|---|---|
| Localizadores + bSSFP (cine e estático) | Anatomia, planos do arco, diâmetros sem contraste |
| CE-MRA 3D (sagital oblíqua do arco) | Mapa arterial, extensão do aneurisma/dissecção, ramos |
| "Sangue preto" (T1/T2 com supressão do fluxo) | Parede aórtica, hematoma, trombo mural |
| Contraste de fase (opcional) | Fluxo/gradiente na coarctação, regurgitação |
Lendo o exame
- Diâmetro: medido perpendicular ao eixo do vaso (dupla obliquidade), sempre no mesmo nível para comparar exames.
- Dissecção: identificar o flap, a luz verdadeira × falsa e quais ramos saem de cada uma.
- Coarctação: estreitamento no istmo, colaterais (intercostais), e o gradiente pelo contraste de fase.
Armadilhas comuns
- Sem sincronismo cardíaco: a raiz e a ascendente borram e o diâmetro fica pouco confiável.
- Medir oblíquo: medir fora da perpendicular superestima o diâmetro — use reformatação perpendicular ao eixo.
- Timing do bolus: cedo demais enche pouco; tarde demais mistura fase venosa.
- Movimento respiratório: reforce a apneia ou use navegador.
- Agudo é para a TC: suspeita de dissecção/rotura aguda geralmente vai para a angio-TC (mais rápida e disponível).
Checklist rápido
- ECG e cinta respiratória posicionados; triagem de segurança de RM.
- bSSFP para anatomia/diâmetros; CE-MRA 3D sagital oblíqua do arco com timing arterial.
- Sequência de sangue preto para a parede; contraste de fase se houver pergunta de fluxo.
- Medir diâmetros perpendicular ao eixo, sempre no mesmo nível.
- Interpretação (aneurisma, dissecção, coarctação) é do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
Medir a aorta perpendicular ao seu eixo é o mesmo gesto de reformatação oblíqua que se treina no Reconstrutor. Reconhecer a raiz, o arco e a descendente em axial, coronal e sagital e reformatar um plano perpendicular ao vaso é a base para um diâmetro confiável.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com reformatações oblíquas e medições. É o hábito que dá um diâmetro de aorta confiável.