MPR TRAINER
Aprenda Protocolos de RM Pescoço
RM Protocolos de RM · ~7 min de leitura

Protocolo de RM de pescoço: partes moles, espaços cervicais e linfonodos

O pescoço é um empilhado de espaços cheios de estruturas que se movem — engolir, respirar, pulsar. O exame se organiza por esses espaços, cobre da base do crânio às clavículas e luta contra o artefato de movimento. Veja como se planeja.

A RM das partes moles do pescoço caracteriza o que a tomografia não resolve: a extensão de tumores da faringe, laringe e cavidade oral, massas cervicais, linfonodos, glândulas (tireoide, salivares) e lesões congênitas. A anatomia se organiza em espaços cervicais (mucoso faríngeo, parafaríngeo, carotídeo, mastigador, parotídeo e outros), e localizar a lesão por espaço já restringe o diagnóstico. Os dois desafios técnicos são a cobertura (base do crânio às clavículas) e o movimento (deglutição, respiração, pulsação). Este guia mostra a lógica do planejamento. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.

Quando esse protocolo é pedido

  • Massa cervical a esclarecer; linfonodomegalia; estadiamento de tumores de cabeça e pescoço.
  • Tumores da faringe, laringe e cavidade oral — extensão em partes moles e invasão de cartilagem.
  • Lesões de glândulas salivares e tireoide (extensão), massas parafaríngeas.
  • Cistos congênitos (branquial, tireoglosso) e processos inflamatórios/abscessos.

A rotina de sequências

A lógica é parecida com a da face: uma série T1 sem saturação para os planos de gordura e a anatomia dos espaços, e séries com saturação para lesão e realce. Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:

SériePlanoPor que entra
T1 (sem FS)Axial (+ sagital)Anatomia dos espaços, planos de gordura, medula óssea
T2 FS ou STIRAxial (+ coronal)Lesão, edema, conteúdo cístico; realça linfonodos
T1 pós-gadolínio + FSAxial + coronalRealce do tumor, extensão, invasão, abscesso
DWI (+ ADC)AxialLinfonodos, caracterização e recidiva tumoral
Axial T2 com saturação de gordura (imagem real, em preparação). O axial é o plano de trabalho do pescoço: mostra os espaços cervicais, a via aérea, os vasos carotídeos e os linfonodos de cada lado.

Planejando os cortes e a cobertura

  • Bobina head-neck (ou neck), paciente confortável, ombros relaxados; cabeça e pescoço centralizados e sem rotação.
  • Axial como plano principal, perpendicular à via aérea, cobrindo da base do crânio às clavículas (ou o segmento pedido).
  • Coronal e sagital complementam (extensão craniocaudal, assoalho da boca, relação com a base).
  • FOV ajustado ao pescoço; cortes finos o suficiente para linfonodos pequenos.
Coronal do pescoço (imagem real, em preparação). O plano coronal mostra a extensão de cima a baixo — útil para acompanhar uma cadeia linfonodal ou uma lesão que desce em direção ao tórax.

O inimigo: movimento

O pescoço se move o tempo todo — deglutição, respiração, pulsação carotídea. As aquisições da RM são longas, e um único engolir borra a série. Medidas práticas: explicar ao paciente e pedir que não engula nem fale durante cada aquisição; usar sequências mais rápidas e saturação/técnicas antimovimento quando disponíveis; e planejar a direção de codificação de fase para jogar o artefato de pulsação para longe da lesão. Vale mais uma série curta e nítida do que uma longa e borrada.

Armadilhas comuns

  • Cobertura curta: não incluir a base do crânio ou as clavículas deixa doença de fora — cubra o segmento inteiro pedido.
  • Movimento/deglutição: oriente o paciente a não engolir/falar; prefira sequências rápidas.
  • Só séries saturadas: sem um T1 sem saturação, perdem-se os planos de gordura que definem os espaços.
  • Saturação de gordura irregular perto de ar (via aérea) — confira; STIR quando falhar.
  • Artefato de pulsação carotídea sobre a lesão — ajuste a direção de fase.
  • Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).

Checklist rápido

  • Bobina head-neck, pescoço centralizado sem rotação; triagem de segurança.
  • T1 sem saturação + T2 FS/STIR; T1 pós-gadolínio com saturação (axial + coronal).
  • DWI para linfonodos/caracterização.
  • Cobrir da base do crânio às clavículas (ou o segmento pedido).
  • Orientar o paciente a não engolir/falar; sequências rápidas.
  • Direção de fase planejada para afastar o artefato de pulsação da lesão.

E o simulador, que é de TC?

Ler o pescoço é raciocinar por espaços e por níveis — e isso se aprende deslizando pelos cortes e montando o volume na cabeça. Treinar a reconhecer os espaços cervicais, os vasos e as cadeias linfonodais em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara direto a leitura e o planejamento de uma RM de pescoço.

Treine o raciocínio espacial

Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para navegar os espaços do pescoço.

Abrir o Reconstrutor

Conteúdo educacional. Sequências, técnicas de saturação de gordura, cobertura e uso de contraste são convenções típicas e variam por serviço, campo magnético e fabricante. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional.