Protocolo de RM de coluna torácica: contar os níveis e cobrir toda a medula
A torácica é o segmento mais longo e o mais traiçoeiro para localizar: sem um marco óbvio, é fácil errar o nível. O exame se organiza em torno de duas exigências — contar direito e cobrir a medula inteira — enquanto luta contra o coração e a pulsação do líquor. Veja como se planeja.
A RM de coluna torácica é o segmento mais longo da coluna e o que mais depende de dois cuidados básicos: contar corretamente os níveis (não há um marco tão claro quanto o sacro ou o crânio) e cobrir toda a medula, incluindo o cone medular. Some a isso o movimento cardíaco e respiratório e a pulsação liquórica, e fica claro por que a torácica exige planejamento cuidadoso. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Mielopatia torácica e alterações de sinal da medula (EM, mielite transversa, isquemia).
- Compressão por fratura (osteoporótica/traumática), metástase ou tumor; suspeita de compressão medular oncológica.
- Infecção (espondilodiscite), hérnia discal torácica (menos comum), avaliação do cone.
O problema de contar os níveis
Diferente da lombar (que ancora no sacro) ou da cervical (que ancora em C1/C2), a torácica não tem um marco interno óbvio no meio do segmento — e um nível errado no laudo pode levar a cirurgia no lugar errado. As estratégias:
- Localizador amplo que inclua uma referência contável (contar a partir de C2 para baixo, ou de S1/L5 para cima; muitos serviços usam um sagital de whole spine para contar).
- Marcar o nível de forma reprodutível e descrever o método de contagem.
- Atenção às variantes (costela em L1, vértebra de transição) que confundem a contagem.
Planejamento e cobertura
- Bobina de coluna, decúbito dorsal, coluna alinhada e centralizada.
- Sagitais alinhadas ao eixo da coluna, cobrindo de C7–T1 ao cone medular (não terminar antes do cone — muita patologia mora ali).
- Axiais no(s) nível(is) de interesse (lesão, compressão), perpendiculares à medula/ao disco.
- Campo de visão longo pode exigir juntar estações ou um FOV ampliado — cuide para não perder resolução.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T1 | Sagital | Anatomia, medula óssea, metástases (substituem a gordura → hipo em T1) |
| T2 | Sagital | Sinal da medula, líquor, discos, compressão |
| STIR | Sagital | Edema ósseo/medular — fratura recente, infecção, metástase, mielite |
| T2 | Axial (no nível) | Medula em corte, grau de compressão, extensão |
| T1 pós-gadolínio | Sag + axial | Tumor, infecção, inflamação medular quando indicado |
Armadilhas comuns
- Errar o nível: sempre conte a partir de uma referência (C2 ou o sacro) e descreva o método.
- Não incluir o cone medular: a cobertura tem de alcançar o cone — não pare no meio da torácica.
- Movimento cardíaco/respiratório: use sequências rápidas e, quando disponível, compensação/gating.
- Pulsação liquórica criando artefato sobre a medula — direção de fase e técnicas de fluxo.
- Perder resolução num FOV muito longo — equilibre cobertura e detalhe.
- Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de coluna, coluna alinhada e centralizada; triagem de segurança.
- Método de contagem de níveis definido (referência contável).
- Sagitais de C7–T1 ao cone medular; axiais no nível de interesse.
- T1 + T2 sagital; STIR sagital; axial T2 no nível.
- Pós-gadolínio se tumor/infecção/inflamação.
- Compensação de movimento; direção de fase para a pulsação.
E o simulador, que é de TC?
Contar níveis e cobrir a medula inteira é raciocínio de volume e continuidade: deslizar pelos cortes sem perder a conta. Treinar a percorrer a coluna em axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a relacionar um corte com o próximo — prepara direto esse cuidado na torácica.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para percorrer e contar a coluna.