Protocolo de RM de coluna lombar: axiais nos discos e o cone medular
É o exame de coluna mais pedido — e o mais padronizado. O planejamento gira em torno de dois hábitos: angular os axiais a cada disco e nunca deixar de fora o cone medular. Veja como se faz um lombar limpo.
A RM de coluna lombar é o exame de coluna mais frequente na rotina, quase sempre por lombalgia e lombociatalgia. Boa parte da qualidade está em dois gestos: angular os axiais paralelamente a cada disco (para ler hérnia, forame e canal sem distorção) e cobrir do cone medular ao sacro (o cone e as vértebras de transição não podem ficar de fora). Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Lombociatalgia / radiculopatia — hérnia discal, compressão de raiz.
- Estenose do canal lombar; espondilolistese; alterações facetárias.
- Síndrome da cauda equina (urgência), avaliação do cone medular.
- Infecção (espondilodiscite), tumor/metástase, pós-operatório.
Bobina, posicionamento e cobertura
- Bobina de coluna, decúbito dorsal; um apoio sob os joelhos reduz a lordose e o desconforto (ajuda contra o movimento).
- Cobrir de T12–L1 (cone medular) até o sacro — incluir o cone é obrigatório (patologia do cone se confunde com "lombar").
- Localizador para conferir os níveis e as vértebras de transição (lombarização/sacralização) — que confundem a numeração.
Planejando os axiais: um bloco por disco
No sagital mediano, planeje blocos de axiais paralelos a cada espaço discal — tipicamente L3–L4, L4–L5 e L5–S1 (e os níveis acima conforme a indicação). Como a lordose muda o ângulo de cada disco, um bloco único inclinado errado distorce o forame; por isso o padrão são blocos angulados por nível. Cada bloco deve cobrir do pedículo ao pedículo, mostrando disco, recesso lateral, forames e facetas.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T1 | Sagital | Anatomia, medula óssea (metástase, alterações Modic), gordura |
| T2 | Sagital | Discos (hidratação), líquor, canal, cone e cauda equina |
| STIR ou T2 FS | Sagital | Edema ósseo — fratura recente, infecção, Modic tipo 1, metástase |
| T2 | Axial (por disco) | Hérnia, recesso lateral, forames, estenose, facetas |
| T1 pós-gadolínio | Sag + axial | Pós-operatório (fibrose × recidiva), infecção, tumor |
Armadilhas comuns
- Axiais não angulados aos discos: o forame e a hérnia saem distorcidos — um bloco por nível.
- Cobrir só os discos baixos: não esquecer o cone medular e os níveis altos conforme a indicação.
- Numerar errado por vértebra de transição — confira no localizador e descreva a referência.
- Não fazer STIR: perde edema ósseo (fratura aguda, infecção, Modic 1).
- Movimento: apoio sob os joelhos e sequências rápidas ajudam.
- Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de coluna, apoio sob os joelhos; triagem de segurança.
- Cobrir do cone medular (T12–L1) ao sacro; conferir vértebra de transição.
- Sagitais T1 + T2 + STIR.
- Axiais angulados a cada disco (L3–L4, L4–L5, L5–S1 e acima se indicado).
- Pós-gadolínio no pós-operatório / infecção / tumor.
- Conferir cone, cauda equina, recessos e forames.
E o simulador, que é de TC?
O lombar é a melhor escola de planos angulados: um bloco por disco, cada um no ângulo do seu nível. Treinar a reconhecer vértebras, discos, recessos e forames em axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a inclinar planos oblíquos — transfere direto para um lombar bem planejado.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos oblíquos em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para angular cada disco.