RM de abdome total (feminino): do diafragma à pelve, incluindo os órgãos femininos
O abdome total varre todo o tronco num só exame. Na mulher, ele desce até a pelve e ganha um capítulo a mais: os órgãos ginecológicos, que pedem alta resolução própria.
A RM de abdome total cobre do diafragma à sínfise púbica — fígado, pâncreas, baço, adrenais, rins, alças e, na mulher, também útero, colo e ovários. É um exame de rastreio e estadiamento, feito em estações para vencer a extensão. Este guia mostra a lógica.
Quando esse protocolo é pedido
- Estadiamento oncológico e busca de metástases (fígado, linfonodos, peritônio, ossos).
- Rastreio em síndromes de predisposição (ex.: Li-Fraumeni) — sem radiação.
- Dor ou massa abdominopélvica a esclarecer.
- Avaliação combinada de abdome superior e pelve feminina num só exame.
Como se planeja: o que faz este protocolo diferente
- Cobertura em estações do diafragma à sínfise; apneia/navegador no andar superior.
- DWI de corpo como farol, sempre lida junto do ADC.
- Dinâmico pós-contraste na região-alvo (fígado/pelve), não no corpo inteiro.
- Na pelve, acrescentar T2 de alta resolução alinhado ao útero (ver o protocolo de pelve feminina).
- Antiespasmódico reduz o movimento das alças na pelve.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Papel |
|---|---|
| T2 (HASTE/single-shot) axial e coronal | Panorama, alças, líquido, linfonodos |
| T1 in/out-phase | Gordura (esteatose) e ferro; adrenais, fígado |
| DWI de corpo + ADC | Farol de lesões — restrição chama atenção |
| Dinâmico pós-gadolínio (alvo) | Caracterização de lesão hepática/pélvica |
| T2 alta-res da pelve | Útero e ovários (alinhado ao órgão) |
Armadilhas comuns
- Querer resolução de corpo inteiro: cobertura e resolução brigam — use o dinâmico só na região-alvo.
- Movimento intestinal na pelve — antiespasmódico e T2 rápido.
- Ler o DWI sozinho: sempre com o ADC (T2 shine-through engana).
- Não alinhar a pelve ao útero: perde a anatomia zonal.
Checklist rápido
- Cobertura diafragma→sínfise em estações; triagem de segurança de RM.
- T2 axial+coronal, T1 in/out, DWI de corpo + ADC.
- Dinâmico na região-alvo; T2 alta-res alinhado ao útero na pelve.
- Antiespasmódico se disponível; interpretação é do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
Abdome e pelve vivem de plano e relação espacial: reconhecer o órgão-alvo, alinhar cortes ao seu eixo e acompanhar uma estrutura entre fatias. Treinar a ler axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a reformatar planos oblíquos de um volume — é o hábito que transfere direto para esses exames.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito que sustenta o planejamento de abdome e pelve.