Protocolo de RM de abdome total: cobertura ampla e difusão de corpo
Quando a pergunta não cabe no abdome superior, o exame se estende do diafragma à pelve. O truque é cobrir muito sem perder o essencial — e a difusão de corpo vira o "farol" que acende lesões e linfonodos em toda a extensão. Veja como se planeja.
A RM de abdome total amplia a cobertura do abdome superior para incluir todo o abdome e a pelve — do diafragma à sínfise púbica. É o exame de rastreio e estadiamento (oncológico, linfoma, doença inflamatória intestinal, coleções, lesões multifocais) em que interessa ver o conjunto. O desafio é equilibrar cobertura ampla e resolução, e a difusão ganha papel de destaque como detector. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Estadiamento oncológico e rastreio de doença multifocal; linfoma (linfonodos abdominais e pélvicos).
- Doença inflamatória intestinal e coleções/abscessos; investigação de dor abdominal complexa.
- Carcinomatose, implantes peritoneais; seguimento de lesões conhecidas em abdome e pelve.
Cobertura × resolução
- Torso array; cobertura do diafragma à sínfise púbica, muitas vezes em estações (blocos que se somam).
- T2 e difusão costumam cobrir tudo; o dinâmico pós-contraste foca a região de interesse (fígado/abdome superior) para não perder a fase.
- Equilibre FOV/matriz: cobrir demais com resolução de menos esconde lesões pequenas.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T2 (HASTE/SSFSE) | Axial + coronal | Anatomia panorâmica, líquido, lesões, linfonodos |
| T1 in/out-phase | Axial | Gordura × ferro; caracterização inicial |
| DWI de corpo + ADC | Axial | O "farol": lesões, implantes e linfonodos acendem na difusão |
| T1 3D FS dinâmico | Axial (região-alvo) | Realce pós-gadolínio na área de interesse |
| T1 FS pós tardio | Axial + coronal | Realce tardio, peritônio, coleções |
Armadilhas comuns
- Cobrir demais com resolução de menos: lesões pequenas somem — equilibre FOV/matriz e use estações.
- Ler DWI sem ADC: risco de T2 shine-through — sempre correlacione com o ADC.
- Perder a fase arterial ao tentar cobrir tudo no dinâmico — foque a região-alvo.
- Movimento (respiração, peristalse): apneia/navegador, antiespasmódico.
- Segurança de RM e contraste como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Torso array; cobrir do diafragma à sínfise púbica (estações); triagem de segurança/contraste.
- T2 axial+coronal e DWI de corpo cobrindo tudo.
- T1 in/out-phase; dinâmico focado na região-alvo + tardio amplo.
- Equilibrar cobertura × resolução; ler DWI com ADC.
- Controle de movimento (apneia/navegador, antiespasmódico).
E o simulador, que é de TC?
Cobertura ampla é raciocínio de navegação: localizar uma lesão no todo e relacioná-la com órgãos e cadeias linfonodais. Treinar a percorrer o abdome e a pelve em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara direto essa leitura panorâmica.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para a leitura panorâmica.