Protocolo de RM de pelve: alta resolução em T2 e planos alinhados ao órgão
A pelve é o território do T2 de alta resolução: é ele que mostra a anatomia em camadas dos órgãos e as lesões. O segredo é FOV pequeno, planos alinhados ao órgão de interesse e um antiespasmódico para calar o intestino. Veja como se planeja.
A RM de pelve é, acima de tudo, um exame de T2 de alta resolução: é a ponderação que revela a anatomia zonal dos órgãos pélvicos (útero, colo, ovários; reto; bexiga) e caracteriza as lesões. O que faz um exame bom é o FOV pequeno, os planos alinhados ao órgão de interesse e o controle do movimento intestinal. Este guia trata da pelve em geral; a próstata multiparamétrica segue protocolo próprio. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Ginecológico: miomas e adenomiose, massas anexiais, estadiamento de câncer de colo/endométrio, malformações uterinas, endometriose.
- Reto: estadiamento do câncer retal (relação com a fáscia mesorretal).
- Assoalho pélvico, fístulas perianais, massas pélvicas e bexiga.
- (A próstata tem protocolo multiparamétrico dedicado.)
Preparo, posicionamento e movimento
- Bobina pélvica (phased array), decúbito dorsal, pelve centralizada.
- Antiespasmódico (quando permitido) reduz a peristalse — a principal fonte de borramento; jejum leve conforme o serviço.
- Bexiga parcialmente cheia (nem vazia, nem muito distendida) costuma ser o ideal.
- Protocolos específicos pedem preparos próprios (ex.: gel endovaginal/retal em alguns serviços) — siga o do seu serviço.
Planos alinhados ao órgão
A marca do exame pélvico é alinhar o T2 de alta resolução ao órgão: no útero, planos ao longo e perpendiculares ao eixo do corpo/colo uterino; no reto, planos perpendiculares ao eixo do tumor/reto (essenciais para medir a margem até a fáscia mesorretal). Não basta axial/coronal/sagital "do corpo" — é a angulação ao órgão que dá a leitura correta.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T2 de alta resolução | Sagital + axial + coronal (alinhados ao órgão) | A base: anatomia zonal e caracterização das lesões |
| T1 | Axial | Sangue/gordura (endometrioma, dermoide), linfonodos, medula óssea |
| T1 FS | Axial | Confirma gordura × sangue (some a gordura) |
| DWI + ADC | Axial | Tumor, linfonodos, celularidade — grande valor na pelve |
| T1 FS pós-gadolínio (± dinâmico) | Axial/sagital | Realce de lesões, estadiamento, fístulas |
Armadilhas comuns
- Planos "do corpo", não do órgão: a leitura fica errada — alinhe o T2 ao eixo do útero/reto.
- Peristalse: borra o T2 de alta resolução — antiespasmódico quando possível.
- Bexiga muito cheia ou vazia: altera a anatomia e gera artefato — busque o meio-termo.
- FOV grande demais: perde a resolução que é o ponto do exame.
- Ler DWI sem ADC; e segurança de RM/contraste como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina pélvica, pelve centralizada; antiespasmódico se permitido; triagem de segurança.
- T2 de alta resolução alinhado ao órgão (sagital + axial + coronal oblíquos).
- T1 e T1 FS (gordura × sangue); DWI + ADC.
- T1 FS pós-gadolínio (± dinâmico) conforme a indicação.
- Bexiga parcialmente cheia; FOV pequeno; seguir o preparo do serviço.
E o simulador, que é de TC?
A pelve é aula de planos oblíquos alinhados a um órgão: sem inclinar o corte ao eixo do útero ou do reto, a medida e a anatomia saem erradas. Treinar a definir planos oblíquos e reconhecer estruturas em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara direto esse raciocínio.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos oblíquos em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para alinhar o T2 ao órgão.