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Aprenda Protocolos de RM Angio · Carótidas
RM Protocolos de RM · Angio · ~8 min de leitura

Angio-RM de carótidas e vertebrais: do arco à base do crânio

Depois de um AVC ou um AIT, a pergunta é direta: há uma placa apertando a carótida? A angio-RM responde cobrindo os vasos do pescoço num único volume — e o segredo está em pegar o momento arterial antes que as veias contaminem a imagem.

A angio-RM cervical estuda as carótidas e as artérias vertebrais, da sua origem no arco aórtico até a base do crânio. A técnica mais robusta é a angio com contraste (CE-MRA): injeta-se gadolínio em bolus e adquire-se um volume 3D rápido na fase arterial. Também existe o TOF (sem contraste), útil quando não se pode usar gadolínio. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.

Quando esse protocolo é pedido

  • AVC / AIT: procurar estenose carotídea (placa aterosclerótica) — a indicação mais comum.
  • Dissecção arterial (jovem com AVC, cervicalgia pós-trauma/manipulação): hematoma na parede.
  • Displasia fibromuscular, vasculite, aneurisma, tumores do corpo carotídeo.
  • Avaliação da circulação posterior (vertebrais) em vertigem/insuficiência vertebrobasilar.
Angio-RM (MIP) das artérias cervicais em projeção frontal: o arco aórtico embaixo, as carótidas comuns subindo e se bifurcando em interna e externa, as artérias vertebrais laterais e o polígono de Willis na base do crânio.
Imagem real de angio-RM (MIP de CE-MRA, anonimizada), projeção frontal do arco aórtico à base do crânio. As carótidas comuns sobem e se bifurcam em interna (ACI) e externa (ACE); as vertebrais correm laterais, unem-se na basilar e alimentam o polígono de Willis. A leitura foca a bifurcação, onde a placa costuma se instalar.

A técnica: pegar a fase arterial

Na CE-MRA, o brilho vem do gadolínio dentro do vaso, não do fluxo — por isso ela lida bem com fluxo lento e trajetos tortuosos. O ponto crítico é o timing: adquirir o centro do espaço-k quando o contraste está arterial, antes de encher as veias jugulares. Duas formas de acertar:

  • Bolus tracking (rastreamento): um detector no arco/carótida dispara a aquisição quando o contraste chega.
  • Test bolus: uma pequena dose-teste mede o tempo de trânsito braço→pescoço.

Usa-se injetora (bolus rápido + flush de soro), volume 3D coronal cobrindo o pescoço, e muitas vezes uma máscara pré-contraste para subtração (tira o fundo e deixa só os vasos). O TOF 3D/2D entra como alternativa sem contraste — lembrando que ele superestima estenoses (a turbulência apaga o sinal).

A rotina de sequências

SériePapel
CE-MRA 3D coronal (arco → base do crânio)O centro do exame: mapa arterial, grau de estenose
Máscara + subtração / MIPIsola os vasos e permite girar o mapa
TOF 3D (opcional, sem contraste)Alternativa quando não se usa gadolínio
T1 axial com saturação de gordura do pescoçoChave da dissecção: o hematoma mural em crescente
Fonte 3D (imagens originais)Sempre revisar além do MIP

Lendo o exame

  • Grau de estenose: mede-se na bifurcação/carótida interna proximal (critério tipo NASCET). A conduta muda com o percentual.
  • Placa: superfície (regular × ulcerada) e extensão.
  • Dissecção: no T1 com saturação de gordura, um crescente hiperintenso na parede (hematoma) — a CE-MRA sozinha pode não mostrar.
  • Vertebrais: calibre, dominância e origem.

Armadilhas comuns

  • Contaminação venosa: aquisição tardia enche as jugulares e polui o mapa arterial. Acerte o timing (tracking/test bolus).
  • Superestimar estenose no TOF: a turbulência pós-estenose apaga o sinal e simula oclusão — confirme com CE-MRA.
  • Deglutição e movimento: oriente o paciente a não engolir durante a aquisição.
  • Esquecer o T1 fat-sat na suspeita de dissecção: é ele que mostra o hematoma mural.
  • Não cobrir o arco/origem: a doença pode estar na origem dos vasos — inclua o arco.

Checklist rápido

  • Acesso venoso de bom calibre e injetora com flush; triagem de segurança de RM.
  • CE-MRA 3D coronal do arco à base do crânio, com timing arterial (tracking/test bolus).
  • Máscara pré-contraste para subtração; gerar MIPs e guardar as fontes.
  • T1 axial fat-sat do pescoço quando a suspeita é dissecção.
  • Interpretação (estenose, dissecção) é do radiologista.

E o simulador, que é de TC?

Seguir uma carótida do arco ao crânio, num MIP que se gira, é raciocínio espacial. Treinar a reconhecer os vasos do pescoço em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara o olho para acompanhar o vaso e localizar a bifurcação.

Treine o raciocínio espacial

Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito que faz você seguir um vaso sem se perder.

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Conteúdo educacional. Técnicas (CE-MRA, TOF), timing, cobertura e uso/dose do gadolínio são convenções típicas e variam por serviço, campo magnético e fabricante. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional.