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Aprenda Protocolos de RM CAI / Ouvido interno
RM Protocolos de RM · ~8 min de leitura

Protocolo de RM de CAI e ouvido interno: alta resolução no osso temporal

O conduto auditivo interno e o labirinto são milimétricos — e é justamente aí que a RM brilha. Uma sequência 3D fortemente ponderada em T2 transforma o líquor em contraste natural e desenha os nervos e as estruturas do ouvido interno. Veja como se planeja esse exame de altíssima resolução.

Poucos exames de RM dependem tanto de resolução espacial quanto o do conduto auditivo interno (CAI) e do ouvido interno. As estruturas de interesse — os nervos dentro do CAI, a cóclea, o vestíbulo e os canais semicirculares — medem frações de milímetro. A boa notícia é que existe uma família de sequências feita para isso: as 3D fortemente ponderadas em T2, que deixam o líquor muito claro e usam esse brilho como um "contraste" que contorna cada nervo e cada compartimento do labirinto. Este guia mostra a lógica do planejamento. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.

Quando esse protocolo é pedido

As indicações clássicas são:

  • Perda auditiva neurossensorial, sobretudo assimétrica, e zumbido unilateral — a pergunta é rastrear um schwannoma vestibular ("neuroma do acústico") e outras lesões do ângulo pontocerebelar (APC).
  • Vertigem e síndromes vestibulares, para avaliar o labirinto e o VIII nervo.
  • Paralisia facial, seguindo o trajeto do VII nervo.
  • Avaliação pré-operatória (implante coclear, por exemplo), em que a patência da cóclea e a presença do nervo coclear importam.

A sequência que faz o exame: 3D T2 de alta resolução

O núcleo do protocolo é uma sequência volumétrica (3D), fortemente ponderada em T2, com voxel submilimétrico e praticamente isotrópico. O nome muda conforme o fabricante, mas o princípio é o mesmo — água/líquor muito brilhante sobre um fundo escuro:

TipoNomes por fabricanteIdeia
Gradiente balanceado (bSSFP)CISS / FIESTA-C · bFFEAltíssimo sinal do líquor, ótimo para o CAI e o labirinto
TSE com driven equilibriumDRIVE · SPACE · CUBET2 volumétrico com bom contraste e menos artefato de suscetibilidade

Como o volume é isotrópico, você adquire uma vez (em geral no axial) e reformata em qualquer plano — inclusive no corte oblíquo que mostra os quatro nervos. É o mesmo raciocínio de MPR que você treina na TC: um bom volume vale por vários planos.

RM axial 3D fortemente ponderada em T2 (cisternográfica) ao nível do conduto auditivo interno, com o líquor claro contornando o tronco encefálico, as cisternas do ângulo pontocerebelar e os condutos auditivos internos nos ossos temporais.
Imagem real de RM (axial 3D T2 de alta resolução, anonimizada), ao nível do CAI. O líquor, muito claro, contorna a ponte e preenche as cisternas do ângulo pontocerebelar; de cada lado, o conduto auditivo interno entra no osso temporal levando os nervos facial e vestibulococlear. Os pontos escuros dentro das cisternas são vazios de fluxo de pequenas artérias (a AICA). É essa "cisternografia" que permite ver estruturas milimétricas.

Os quatro nervos do CAI

Dentro do conduto auditivo interno correm quatro nervos, e a melhor forma de vê-los é um corte sagital oblíquo perpendicular ao eixo do CAI — um reformat do volume 3D. Nesse "corte em cruz" a disposição típica é:

  • Facial (VII) — ântero-superior;
  • Coclear — ântero-inferior;
  • Vestibular superior — póstero-superior;
  • Vestibular inferior — póstero-inferior.

Reconhecer os quatro e conferir se todos estão presentes e simétricos é parte central da leitura — daí a importância de reformatar perpendicular a cada CAI separadamente (os dois lados quase nunca estão no mesmo ângulo).

O labirinto e o plano coronal

As mesmas sequências desenham o labirinto membranoso: a cóclea (com suas voltas), o vestíbulo e os três canais semicirculares (lateral, superior e posterior), todos claros pelo líquido que contêm. O plano coronal complementa o axial: ajuda a acompanhar o trajeto do CAI, a comparar os dois lados e a avaliar o canal semicircular superior e a cóclea.

RM coronal fortemente ponderada em T2 com saturação de gordura através dos condutos auditivos internos, com o líquor claro na base do crânio marcando as cisternas e os CAI simétricos dos dois lados.
Imagem real de RM (coronal T2 de alta resolução, anonimizada). Na base, os focos claros e simétricos marcam os condutos auditivos internos e as cisternas vizinhas. O plano coronal é o par natural do axial para acompanhar o CAI e o labirinto dos dois lados.

Planejamento e cobertura

  • Bobina de crânio, cabeça neutra e bem centralizada — simetria é tudo quando se comparam os dois ossos temporais.
  • FOV pequeno e matriz alta: a resolução no osso temporal se paga com FOV justo. FOV grande demais joga fora o detalhe que é a razão do exame.
  • Cortes finos (submilimétricos) no volume 3D; cubra de acima do canal semicircular superior até abaixo da cóclea, incluindo os dois CAI.
  • Adquira o volume no axial e reformate o sagital oblíquo (quatro nervos) e o coronal a partir dele.

Contraste: quando entra o gadolínio

A sequência 3D T2 de alta resolução rastreia o schwannoma sem contraste — uma lesão sólida aparece como uma falha (preenchimento) na cisterna/CAI que deveria ser clara. Muitos serviços fazem esse rastreio só com T2. O gadolínio (T1 fino) entra quando se quer confirmar/caracterizar uma lesão do APC, procurar um schwannoma intracanalicular pequeno ou avaliar realce (labirintite, neurite). É decisão do protocolo/serviço; o técnico garante os cortes finos e alinhados para a comparação valer.

Armadilhas comuns

  • FOV grande demais: perde a resolução que é o objetivo do exame — mantenha o FOV justo ao osso temporal.
  • Não cobrir os dois CAI ou posicionar a cabeça torta: inviabiliza a comparação lado a lado.
  • Reformatar num ângulo só para os dois lados: cada CAI pede seu próprio corte perpendicular.
  • Volume parcial nos cortes finos: uma estrutura minúscula pode "sumir" entre voxels — reformate e confira em mais de um plano.
  • Movimento nas aquisições 3D longas — explique o exame e imobilize.
  • Segurança de RM: triagem de implantes cocleares/auditivos é crítica justamente nessa população (veja segurança em RM).

Checklist rápido

  • Bobina de crânio, cabeça neutra e centralizada; triagem de segurança (implantes auditivos!).
  • Volume 3D T2 de alta resolução (CISS/FIESTA ou DRIVE/SPACE) no axial.
  • FOV pequeno, matriz alta, cortes submilimétricos; cobrir os dois CAI.
  • Reformatar o sagital oblíquo ⟂ a cada CAI (os quatro nervos) e o coronal.
  • Conferir simetria e presença das estruturas nos dois lados.
  • T1 ± gadolínio se houver suspeita de schwannoma/massa do APC ou realce.

E o simulador, que é de TC?

O Reconstrutor do MPR Trainer trabalha hoje com casos de tomografia, mas o exame de CAI é o exemplo de por que o raciocínio de volume importa: um único volume 3D vira axial, coronal e o sagital oblíquo dos quatro nervos. Treinar a reformatar planos a partir de um volume — e reconhecer estruturas pequenas em axial, coronal e sagital — é exatamente o músculo que esse protocolo exige.

Treine o raciocínio espacial

Abra o Reconstrutor e pratique reformatar planos a partir de casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para um exame que vive de reformats.

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Conteúdo educacional. Sequências, nomes por fabricante, ângulos e uso de contraste são convenções típicas e variam por serviço, campo magnético e fabricante. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional.