Protocolo de RM de cóccix: FOV pequeno para a coccidínia
O cóccix é pequeno, variável e muitas vezes ignorado — mas na coccidínia é o protagonista. O exame é um estudo de detalhe: FOV justo, cortes finos centrados no cóccix e o STIR para o edema. Veja como se planeja.
A RM de cóccix é um exame de região pequena e alta resolução, quase sempre pedido por coccidínia (dor coccígea) ou trauma. A anatomia é variável — o cóccix tem de 3 a 5 segmentos e ângulos que mudam de pessoa para pessoa — por isso o segredo é centrar bem e usar FOV pequeno com cortes finos. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Coccidínia — dor coccígea persistente, muitas vezes ao sentar.
- Trauma / fratura ou luxação coccígea; instabilidade.
- Tumor (cordoma é clássico na região sacrococcígea), cisto, processo inflamatório; doença pilonidal e partes moles vizinhas.
Planejando os cortes: pequeno e centrado
- Bobina de coluna/pelve, decúbito dorsal; conforto é importante (a região dói).
- FOV pequeno, cortes finos, centrados no cóccix — resolução é o objetivo.
- Sagital é o plano principal: mostra os segmentos coccígeos, o alinhamento (angulação, subluxação) e o espaço pré-sacral/pré-coccígeo.
- Axial complementa (partes moles ao redor, lesões laterais); coronal opcional.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T1 | Sagital | Anatomia, segmentos, medular óssea (lesão substitui a gordura) |
| T2 | Sagital + axial | Alinhamento, líquido, partes moles, lesões |
| STIR ou T2 FS | Sagital (+ axial) | Edema ósseo — fratura recente, instabilidade sintomática, inflamação |
| T1 pós-gadolínio + FS | Sag + axial | Tumor (cordoma), infecção, caracterização de massas — quando indicado |
Na coccidínia, procura-se edema ósseo (STIR) e alterações de alinhamento/instabilidade; a massa sacrococcígea (cordoma) pede o pós-contraste para caracterizar.
Armadilhas comuns
- FOV grande / cortes grossos: o cóccix é pequeno — perde-se detalhe e edema sutil.
- Não centrar no cóccix: o alvo sai da borda do corte; ajuste o centro no localizador.
- Pular o STIR: o edema (fratura, instabilidade) fica invisível.
- Ignorar o espaço pré-sacral/pré-coccígeo — massas e coleções aparecem ali.
- Desconforto/movimento: acomode bem o paciente; a região é dolorosa.
- Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de coluna/pelve, paciente acomodado; triagem de segurança.
- FOV pequeno, cortes finos, centrados no cóccix.
- Sagital como plano principal; axial complementar.
- T1 + T2; STIR para o edema ósseo.
- Pós-gadolínio se suspeita de tumor/infecção (cordoma).
- Avaliar alinhamento, edema e espaço pré-coccígeo.
E o simulador, que é de TC?
Mesmo num osso pequeno, o raciocínio é o mesmo: centrar, escolher o plano que mostra o alinhamento e relacionar o osso com as partes moles à volta. Treinar a reconhecer a região sacrococcígea em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara o olhar para um cóccix bem centrado.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para centrar e ler estruturas pequenas.