Protocolo de RM de sacro: STIR para o edema ósseo e as lesões do sacro
O sacro é um osso plano e inclinado, fácil de "cortar torto" e de subestimar. O exame se apoia no STIR — que acende o edema da medular óssea antes de qualquer outra pista — e num plano alinhado ao próprio sacro. Veja como se planeja.
A RM de sacro avalia um osso plano e inclinado que fecha a coluna e transmite a carga para a pelve. É o exame que flagra a fratura de insuficiência (comum no idoso e no osteoporótico, muitas vezes invisível na radiografia), além de tumor/metástase, infecção e lesões dos nervos sacrais. A chave é o STIR — sensível ao edema da medular óssea — e alinhar os cortes ao eixo do sacro. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Fratura de insuficiência sacral (dor lombossacra/glútea no idoso, pós-radioterapia, osteoporose).
- Tumor / metástase do sacro; infecção (osteomielite, extensão de espondilodiscite L5–S1).
- Lesões dos nervos sacrais, cistos de Tarlov, massas pré-sacrais.
Planejando os cortes: alinhar ao sacro
- Bobina de coluna/pelve, decúbito dorsal, pelve centralizada e sem rotação.
- Sagital para a visão geral (curvatura, canal sacral, relação com L5–S1 e cóccix).
- Coronal oblíquo alinhado ao longo eixo do sacro (planejado no sagital) — o melhor plano para as asas do sacro, os forames e as articulações sacroilíacas.
- Axial perpendicular, para os corpos, os forames sacrais e a extensão de lesões.
- FOV cobrindo todo o sacro (de L5–S1 ao cóccix) e as sacroilíacas.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| T1 | Sagital + coronal oblíquo | Anatomia e medular óssea (lesão substitui a gordura → hipo em T1) |
| STIR ou T2 FS | Coronal oblíquo + axial | O achado-chave: edema ósseo — fratura de insuficiência, infecção, tumor |
| T2 | Axial | Forames, canal, partes moles pré-sacrais |
| T1 pós-gadolínio + FS | Coronal oblíquo + axial | Tumor, infecção/abscesso, caracterização de lesões |
Na fratura de insuficiência, o padrão clássico é o edema em STIR nas asas do sacro — às vezes com uma linha de fratura vertical (formando o "H" de Honda quando bilateral e com traço transverso). O T1 e o STIR juntos separam fratura benigna de lesão tumoral.
Armadilhas comuns
- Não fazer STIR: a fratura de insuficiência pode ser invisível fora dele — o edema é o achado.
- Coronal "reto", sem alinhar ao sacro: o osso inclinado sai em volume parcial — alinhe ao longo eixo.
- Cobertura curta: incluir todo o sacro e as sacroilíacas.
- Confundir fratura com metástase: use T1 + STIR (± pós-contraste) para caracterizar.
- Movimento e segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de coluna/pelve, pelve centralizada; triagem de segurança.
- Sagital de visão geral; coronal oblíquo alinhado ao sacro; axial perpendicular.
- T1 + STIR (o achado do edema ósseo); T2 axial.
- Pós-gadolínio com saturação se tumor/infecção.
- Cobrir de L5–S1 ao cóccix, incluindo as sacroilíacas.
- Caracterizar edema: fratura × lesão (T1 + STIR).
E o simulador, que é de TC?
O sacro é o exemplo de por que alinhar o plano ao osso importa: um coronal "reto" corta o sacro inclinado em fatias inúteis. Treinar a reconhecer o sacro, as asas e os forames em axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a inclinar planos ao eixo da estrutura — transfere direto para esse exame.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos oblíquos em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para alinhar o coronal ao sacro.