Protocolo de RM de cotovelo: epicôndilos, ligamentos e o nervo ulnar
O cotovelo concentra muita informação num espaço pequeno: os tendões dos epicôndilos, os ligamentos colaterais, o bíceps distal e o nervo ulnar. Um exame bem posicionado, nos três planos, dá conta de tudo. Veja como se planeja.
A RM de cotovelo avalia um conjunto denso de estruturas: os tendões comuns dos epicôndilos (as epicondilites), os ligamentos colaterais (o medial/UCL do arremessador), o tendão distal do bíceps, a cartilagem (osteocondrite do capítulo) e o nervo ulnar no túnel cubital. Três incidências bem posicionadas resolvem a maioria. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Epicondilite lateral ("cotovelo de tenista") e medial ("de golfista").
- Ligamento colateral medial (UCL) — instabilidade em arremessadores; colateral lateral.
- Tendão distal do bíceps (ruptura), tríceps.
- Osteocondrite dissecante do capítulo, corpos livres; nervo ulnar (síndrome do túnel cubital).
Posicionamento
- Bobina apropriada; idealmente o cotovelo no isocentro — braço estendido acima da cabeça ("superman") melhora a imagem, mas é desconfortável; ao lado do corpo é a alternativa tolerável.
- Cotovelo em extensão e supinação neutra; imobilize (movimento é comum em posição incômoda).
- Para o bíceps distal, alguns serviços usam a incidência FABS (cotovelo fletido, abduzido e supinado) para "esticar" o tendão em um plano.
As incidências
- Coronal: tendões comuns (epicondilites), ligamentos colaterais, cartilagem.
- Axial: nervo ulnar no túnel cubital, tendões, músculos.
- Sagital: bíceps/tríceps distais, cartilagem troclear/capitular (osteocondrite), derrame.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| DP/T2 FS | Coronal | Tendões dos epicôndilos, colaterais, cartilagem |
| DP/T2 FS | Axial | Nervo ulnar, tendões, músculos |
| DP/T2 FS | Sagital | Bíceps/tríceps, capítulo (osteocondrite), derrame |
| T1 | Coronal/sagital | Anatomia e medula óssea (fratura, edema) |
Armadilhas comuns
- Desconforto/movimento na posição "superman" — se o paciente não tolera, use o braço ao lado e reforce a imobilização.
- Ângulo mágico nos tendões (TE curto) simulando lesão — confirme no T2.
- Não avaliar o nervo ulnar no axial quando a queixa sugere túnel cubital.
- Omitir o T1 — perde a medula óssea (fratura, osteocondrite).
- Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina adequada; cotovelo o mais próximo do isocentro; triagem de segurança.
- DP/T2 FS nos três planos (coronal, axial, sagital).
- T1 para medula óssea; avaliar o nervo ulnar no axial.
- Incidência FABS se a pergunta é o bíceps distal.
- Confirmar tendão suspeito no T2 (ângulo mágico); imobilizar contra movimento.
E o simulador, que é de TC?
O cotovelo mostra como três planos se somam: o tendão que aparece no coronal, o nervo que só o axial revela, a cartilagem que o sagital mostra. Treinar a reconhecer essas estruturas em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara o olhar para integrar as incidências.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para o cotovelo.