Protocolo de RM de ombro: oblíquas do supraespinal e o manguito rotador
No ombro, o posicionamento decide o exame: o braço em rotação neutra e as incidências alinhadas ao supraespinal fazem o manguito rotador aparecer inteiro. E há uma decisão extra — quando o lábio é a pergunta, entra a artro-RM. Veja como se planeja.
A RM de ombro gira em torno de duas estruturas: o manguito rotador (sobretudo o supraespinal) e o lábio glenoidal. O que faz um exame bom é o posicionamento (braço em rotação neutra) e o alinhamento das incidências ao supraespinal. Quando a pergunta é instabilidade/lábio, muitos serviços recorrem à artro-RM. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante; a artrografia é ato médico.
Quando esse protocolo é pedido
- Manguito rotador: tendinopatia, ruptura parcial/completa, impacto (impingement).
- Lábio e instabilidade: lesão de Bankart, SLAP; luxação recidivante.
- Cabo longo do bíceps, articulação acromioclavicular, capsulite.
Bobina e posicionamento
- Bobina de superfície sobre o ombro; paciente o mais confortável possível (exames longos).
- Braço ao lado do corpo, em rotação neutra ou leve rotação externa (polegar para cima). Evite a rotação interna — ela sobrepõe e "esconde" o supraespinal.
- Centralize na cabeça umeral.
As incidências alinhadas ao supraespinal
- Coronal oblíquo, paralelo ao tendão supraespinal (planejado no axial): é o plano do manguito e do arco coracoacromial.
- Sagital oblíquo, perpendicular ao supraespinal: mostra o manguito "de frente" (qual tendão, qual porção) e a morfologia do acrômio.
- Axial: lábio (anterior/posterior), cabo do bíceps, versão glenoidal, subescapular.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| DP/T2 FS | Coronal oblíquo | Manguito (supraespinal), líquido, edema ósseo |
| T2 FS ou DP | Sagital oblíquo | Manguito "de frente", acrômio, intervalo dos rotadores |
| T2 FS ou GRE | Axial | Lábio, cabo do bíceps, subescapular |
| T1 | Coronal/sagital | Anatomia, medula óssea, gordura muscular (atrofia) |
Quando entra a artro-RM
Para o lábio e a instabilidade (e para rupturas parciais sutis), a artro-RM direta — injeção intra-articular de contraste diluído (gadolínio) pelo radiologista — distende a cápsula e "desenha" as estruturas. O núcleo passa a ser o T1 com saturação de gordura nos três planos; a posição ABER (abdução e rotação externa) é útil para o lábio ânteroinferior. É um exame invasivo, indicado caso a caso. O papel do técnico é a parte de RM: sequências e planos após a injeção.
Armadilhas comuns
- Rotação interna do braço: encobre o supraespinal — posicione em neutra/leve rotação externa.
- Oblíquas mal alinhadas ao supraespinal: o tendão sai em volume parcial — planeje as oblíquas no axial.
- Ângulo mágico no manguito (TE curto) simulando lesão — confirme no T2.
- Desconforto/movimento em exames longos — acomode bem o paciente.
- Segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de superfície; braço em rotação neutra/externa leve (polegar para cima).
- Coronal oblíquo paralelo ao supraespinal + sagital oblíquo perpendicular + axial.
- DP/T2 FS nos planos do manguito; axial para o lábio; T1 para atrofia/medula.
- Artro-RM (T1 FS + ABER) quando a pergunta é lábio/instabilidade.
- Confirmar sinal de tendão no T2 (ângulo mágico); triagem de segurança.
E o simulador, que é de TC?
O ombro é aula de planos oblíquos: alinhar coronal e sagital a um tendão que corre numa direção própria. Treinar a definir oblíquas e reconhecer estruturas em axial, coronal e sagital no Reconstrutor transfere direto para posicionar bem um ombro.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos oblíquos em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para alinhar ao supraespinal.