Enterorressonância (entero-RM): o intestino distendido, em movimento
Para ver o intestino, primeiro é preciso enchê-lo e depois fazê-lo parar. A entero-RM distende as alças com um litro de contraste oral, freia o peristaltismo e então lê a parede — inclusive em movimento.
A enterorressonância avalia o intestino delgado, sobretudo na doença de Crohn: atividade inflamatória, estenose, fístula e complicações. Depende de distensão luminal por contraste oral, antiperistáltico e sequências que incluem cine da motilidade. Este guia mostra a lógica.
Quando esse protocolo é pedido
- Doença de Crohn: atividade, extensão, estenose, fístula, abscesso.
- Seguimento e resposta ao tratamento (sem radiação).
- Tumores do delgado, sangramento obscuro, obstrução.
- Avaliação pré/pós-operatória.
Como se planeja: o que faz este protocolo diferente
- Contraste oral neutro/bifásico em grande volume (manitol/PEG) para distender as alças — beber ao longo de ~45–60 min.
- Antiperistáltico (butilescopolamina ou glucagon) para frear o movimento.
- T2 (HASTE) e TrueFISP/bSSFP; cine da motilidade.
- Dinâmico pós-gadolínio: realce parietal = atividade; DWI complementa.
- Decúbito ventral ajuda a separar as alças; apneia/gatilho.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Papel |
|---|---|
| T2 HASTE / bSSFP | Parede, alças, líquido |
| Cine (motilidade) | Peristaltismo, estenose fixa × funcional |
| DWI + ADC | Atividade inflamatória |
| Dinâmico pós-gadolínio | Realce parietal (atividade), fístula/abscesso |
Armadilhas comuns
- Distensão insuficiente: alça colabada esconde/simula doença — beber o volume todo.
- Sem antiperistáltico: o movimento borra a parede.
- Estenose fixa × funcional: o cine ajuda a diferenciar.
- Movimento respiratório — apneia/gatilho; decúbito ventral quando tolerado.
Checklist rápido
- Contraste oral em grande volume ao longo de ~45–60 min; antiperistáltico; triagem de segurança.
- T2 HASTE + bSSFP; cine da motilidade.
- DWI + dinâmico pós-gadolínio.
- Avaliar distensão antes de encerrar; leitura do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
Abdome e pelve vivem de plano e relação espacial: reconhecer o órgão-alvo, alinhar cortes ao seu eixo e acompanhar uma estrutura entre fatias. Treinar a ler axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a reformatar planos oblíquos de um volume — é o hábito que transfere direto para esses exames.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito que sustenta o planejamento de abdome e pelve.