MPR TRAINER
Aprenda Protocolos de RM Epilepsia / hipocampo
RM Protocolos de RM · Neuro · ~8 min de leitura

Protocolo de RM de epilepsia: o hipocampo em foco

Na investigação da epilepsia do lobo temporal, a resposta costuma estar num detalhe milimétrico: um hipocampo um pouco menor e mais brilhante que o outro. Encontrar isso depende de um gesto técnico simples e decisivo — cortar perpendicular ao hipocampo.

O protocolo de epilepsia (ou "protocolo de hipocampo") é um exame de crânio dedicado ao lobo temporal mesial. Seu alvo mais comum é a esclerose mesial temporal (EMT) — a causa mais frequente de epilepsia do lobo temporal operável. Tudo no protocolo existe para comparar um hipocampo com o outro em alta resolução. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.

Quando esse protocolo é pedido

  • Epilepsia do lobo temporal — sobretudo refratária, em avaliação pré-cirúrgica: localizar e lateralizar o foco.
  • Suspeita de esclerose mesial temporal: hipocampo atrófico e com sinal alto em T2/FLAIR.
  • Investigação de outras lesões epileptogênicas temporais (tumores de baixo grau, displasias, malformações do desenvolvimento cortical).

O alvo: esclerose mesial temporal

A EMT tem uma tríade que a RM procura no hipocampo do lado afetado:

  • Perda de volume (atrofia) — o hipocampo fica menor que o contralateral.
  • Sinal alto em T2/FLAIR — reflete a gliose.
  • Perda da arquitetura interna — apaga-se a estrutura fina do hipocampo.

Como o achado é uma assimetria sutil, o exame precisa ser simétrico e de alta resolução — e cortado no ângulo certo. É aí que entra o planejamento.

Vista SAGITAL (esquema) · coronais perpendiculares ao hipocampo anterior posterior coronais ⟂ longo eixo hipocampo
Esquema ilustrativo — não é uma imagem de RM. O hipocampo corre da frente para trás no lobo temporal. Os cortes coronais finos saem perpendiculares ao seu longo eixo (e não ao plano da mesa): é isso que mostra os dois hipocampos em corte verdadeiro e permite compará-los.

Planejando as coronais perpendiculares

O gesto central: planejar as coronais numa sagital (ou usar um volume 3D reformatado), alinhando o bloco perpendicular ao longo eixo do hipocampo. Como o hipocampo é levemente inclinado, essas coronais ficam oblíquas em relação às coronais de rotina. Cortes finos, sem gap, cobrindo toda a extensão do hipocampo (cabeça, corpo e cauda) e simétricos — qualquer rotação da cabeça vira uma falsa assimetria.

Coronal T2 de alta resolução (imagem real) · os dois hipocampos hipocampo hipocampo
Imagem real de RM (coronal T2 de alta resolução, anonimizada), ao nível do corpo dos hipocampos. Cada hipocampo forma o piso mesial do corno temporal do ventrículo lateral; abaixo dele fica o giro para-hipocampal. A leitura procura assimetria de volume e de sinal entre os dois lados — aqui, simétricos. A interpretação é do radiologista.

A rotina de sequências

Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:

SériePapel
Coronal T2 de alta resolução ⟂ ao hipocampoO centro do exame: volume, sinal e arquitetura interna do hipocampo
Coronal FLAIR ⟂ ao hipocampoRealça o sinal alto da gliose (EMT) e outras lesões
T1 3D volumétrico (isotrópico)Anatomia e volumetria; reformata qualquer plano para comparar os lados
Axial T2 / FLAIRRastreio do restante do encéfalo
DWI, SWI, pós-contraste (conforme suspeita)Complementam quando há lesão a caracterizar

O par coronal T2 + coronal FLAIR perpendiculares, somado ao 3D volumétrico, é o coração do protocolo.

Lendo os dois lados

  • Simetria é a régua: compare hipocampo direito × esquerdo no mesmo corte — tamanho, sinal e desenho interno.
  • Volume: um hipocampo atrófico com o corno temporal vizinho alargado reforça a EMT.
  • Sinal: hiperssinal em T2/FLAIR no hipocampo menor fecha o padrão.
  • A volumetria (manual ou automática, a partir do 3D) ajuda quando a diferença é sutil — mas exige aquisição bem simétrica.

Armadilhas comuns

  • Angular errado: coronais que não são perpendiculares ao hipocampo cortam-no obliquamente e criam falsa assimetria. Planeje na sagital, ⟂ ao longo eixo.
  • Cabeça torta: rotação/inclinação da cabeça desiguala os dois lados. Centralize e alinhe com cuidado — a simetria é tudo.
  • Cortes grossos ou com gap: o hipocampo é milimétrico; sem alta resolução e cobertura contínua, a EMT some.
  • Não cobrir cabeça e cauda: a atrofia pode ser focal — cubra o hipocampo inteiro.
  • Esquecer a FLAIR coronal: é ela que evidencia o hiperssinal da gliose.
  • Movimento nas aquisições finas — oriente e imobilize.

Checklist rápido

  • Bobina de crânio, cabeça neutra e centralizada (simetria!); triagem de segurança de RM.
  • Coronal T2 alta resolução e coronal FLAIR, ambas ⟂ ao longo eixo do hipocampo.
  • Cortes finos, sem gap, cobrindo toda a extensão do hipocampo.
  • T1 3D volumétrico isotrópico para volumetria e reformatação.
  • Axial T2/FLAIR para o resto do encéfalo; DWI/SWI/contraste conforme a suspeita.
  • Interpretação (EMT, lateralização) é do radiologista.

E o simulador, que é de TC?

Cortar perpendicular ao longo eixo de uma estrutura inclinada é raciocínio espacial puro — o mesmo que se faz para o quadril, o punho ou o hipocampo. Treinar a reconhecer o lobo temporal e o hipocampo em axial, coronal e sagital no Reconstrutor, e a reformatar planos oblíquos de um volume, prepara o olho para planejar essas coronais e comparar os dois lados.

Treine o raciocínio espacial

Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações oblíquas. É o hábito que faz o corte perpendicular ao hipocampo sair certo e simétrico.

Abrir o Reconstrutor

Conteúdo educacional. Sequências, angulação, espessura de corte e cobertura são convenções típicas e variam por serviço, campo magnético e fabricante. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional.