Protocolo de RM de joelho: meniscos, cruzados e o PD com saturação
O joelho é o campeão da RM articular — e um exame bem posicionado responde quase tudo em três incidências. O carro-chefe é a densidade de prótons com saturação de gordura, que faz o líquido e as lesões saltarem. Veja como se planeja.
A RM de joelho é o exame musculoesquelético mais pedido. A maior parte das perguntas — menisco, ligamentos cruzados e colaterais, cartilagem, aparelho extensor — se resolve com três incidências bem posicionadas e uma sequência sensível a líquido. O padrão-ouro do dia a dia é a densidade de prótons (DP) com saturação de gordura, que deixa o líquido e o edema claros sobre um fundo escuro. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Lesões meniscais (dor, bloqueio, derrame) e ligamentares (LCA/LCP, colaterais) — o "internal derangement".
- Cartilagem e síndrome patelofemoral; instabilidade patelar.
- Osso: lesão osteocondral, edema/contusão, fratura oculta; corpos livres.
Bobina e posicionamento
- Bobina de joelho dedicada; membro centralizado.
- Leve flexão (~10–15°) e rotação externa discreta — "abre" o ligamento cruzado anterior no sagital, facilitando avaliá-lo em um plano só.
- Imobilize para reduzir movimento; centralize na interlinha articular.
As três incidências
- Sagital: meniscos (o "gravata-borboleta"), cruzados (o LCA ao longo da linha de Blumensaat), cartilagem, aparelho extensor.
- Coronal: corpos e raízes meniscais, ligamentos colaterais, cartilagem dos compartimentos.
- Axial: articulação patelofemoral (cartilagem, retináculos), tendões.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| DP/T2 FS | Sagital | Meniscos, cruzados, cartilagem, líquido — a base do exame |
| DP/T2 FS | Coronal | Corpos/raízes meniscais, colaterais |
| DP/T2 FS | Axial | Patelofemoral, retináculos, tendões |
| T1 ou DP (sem FS) | Sag ou coronal | Anatomia e medula óssea (fratura, lesão) |
Armadilhas comuns
- Ângulo mágico: em sequências de TE curto (DP), tendões/menisco em ~55° com o campo podem ficar falsamente claros — confirme no T2 (TE longo).
- Flexão insuficiente / rotação errada: o LCA "some" entre cortes — a leve flexão + rotação externa o desdobra.
- Saturação de gordura irregular nas bordas do FOV — centralize e confira.
- Não fazer uma série sem FS: perde a leitura da medula óssea/fratura.
- Movimento e segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de joelho, leve flexão + rotação externa discreta; triagem de segurança.
- DP/T2 FS nas três incidências (sagital, coronal, axial).
- Uma série sem saturação (T1/DP) para a medula óssea.
- Centralizar na interlinha; imobilizar contra movimento.
- Confirmar sinal suspeito de tendão/menisco no T2 (ângulo mágico).
E o simulador, que é de TC?
Ler joelho é integrar três planos numa estrutura só: o menisco que aparece no sagital e no coronal, o ligamento que cruza a articulação. Treinar a montar o volume na cabeça a partir de axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara exatamente esse raciocínio articular.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para integrar as incidências.