Protocolo de RM de tornozelo e pé: tendões, ligamentos e o ângulo mágico
O tornozelo é o reino do ângulo mágico: tendões que curvam podem "brilhar" e simular lesão se o pé estiver mal posicionado. O exame começa, então, pelo posicionamento — e por decidir se a pergunta é do retropé ou do antepé. Veja como se planeja.
A RM de tornozelo e pé avalia ligamentos, tendões, cartilagem/osso e a fáscia plantar. Duas coisas definem a qualidade: o posicionamento (para evitar o ângulo mágico, a armadilha clássica dos tendões que curvam) e onde centrar — retropé/tornozelo é um exame, antepé é outro (FOV e centro diferentes). Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Ligamentos: entorse (talofibular anterior, deltoide), instabilidade.
- Tendões: Aquiles, tibial posterior, fibulares (peroneais), tibial anterior.
- Lesão osteocondral do talo, edema/fratura de estresse, corpos livres.
- Fáscia plantar (fascite), neuroma de Morton (antepé), massas.
Posicionamento e o ângulo mágico
- Bobina dedicada; pé em posição neutra (~90°) em relação à perna. Isso reduz o ângulo mágico — em sequências de TE curto (DP/T1), tendões que fazem ~55° com o campo (típico dos fibulares e do tibial posterior ao contornar o maléolo) podem ficar falsamente claros e simular tendinopatia.
- Se um tendão curvo parece alterado, confirme no T2 (TE longo): o ângulo mágico some, a lesão real permanece.
- Para o antepé (Morton, metatarsos), recentre a bobina/FOV nos metatarsos — é praticamente outro exame.
As incidências
- Axial (perpendicular à perna): ligamentos (talofibular anterior, deltoide) e tendões em corte transversal.
- Sagital: Aquiles, fáscia plantar, domo do talo, aparelho extensor/flexor.
- Coronal: lesões osteocondrais do talo, ligamentos, sindesmose.
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Plano | Por que entra |
|---|---|---|
| DP/T2 FS | Axial | Ligamentos e tendões em corte; líquido |
| DP/T2 FS | Sagital | Aquiles, fáscia plantar, domo do talo |
| DP/T2 FS | Coronal | Lesões osteocondrais, sindesmose, ligamentos |
| T1 | Sag ou axial | Anatomia e medula óssea (fratura, edema) |
Armadilhas comuns
- Ângulo mágico: tendões curvos (fibulares, tibial posterior) falsamente claros no DP — pé em 90° e confirmação no T2.
- Protocolo errado para o antepé: Morton/metatarsos exigem recentrar a bobina/FOV nos metatarsos.
- Plantiflexão acidental piorando o ângulo mágico e distorcendo a anatomia.
- Não fazer T1 — perde a leitura da medula óssea (fratura, edema).
- Movimento e segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina dedicada; pé em neutro (~90°); triagem de segurança.
- Definir alvo: tornozelo/retropé × antepé (recentrar para o antepé).
- DP/T2 FS nos três planos; T1 para medula óssea.
- Confirmar tendão suspeito no T2 (ângulo mágico).
- Cobrir a estrutura-alvo por inteiro; imobilizar contra movimento.
E o simulador, que é de TC?
O tornozelo mostra por que posição e plano mudam a imagem: um tendão que curva vira armadilha se o pé estiver torto. Treinar a reconhecer tendões, ligamentos e ossos do tornozelo em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara o olhar para separar artefato de lesão.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para o tornozelo e o pé.