RM de mama: a dinâmica com contraste, a difusão e o BI-RADS
A mama não se lê por uma foto, e sim por um filme: injeta-se o contraste e observa-se como cada área o capta ao longo do tempo. É essa curva — sobe, estabiliza ou desce — que separa o suspeito do benigno.
A RM de mama é, no seu núcleo, um exame dinâmico com contraste: a paciente fica em decúbito ventral numa bobina dedicada, e adquire-se um volume T1 antes e várias vezes depois do gadolínio para analisar a cinética do realce. Soma-se T2/STIR, difusão e subtração, tudo lido no padrão BI-RADS RM. Este guia mostra a lógica.
Quando esse protocolo é pedido
- Rastreio de alto risco (mutação BRCA, forte história familiar, irradiação torácica prévia).
- Estadiamento pré-operatório: extensão, multifocalidade/multicentricidade, mama contralateral.
- Problem-solving de achado indeterminado na mamografia/ultrassom.
- Carcinoma oculto (metástase axilar com mama normal ao exame convencional).
- Monitorar a quimioterapia neoadjuvante (ver protocolo próprio).
Como se planeja: o que faz este protocolo diferente
- Decúbito ventral em bobina dedicada de mama, mamas pendentes e sem dobras.
- Timing no ciclo menstrual: idealmente na 2ª semana (dias ~7–14), quando o realce de fundo (BPE) é menor.
- Dinâmico: T1 3D com saturação de gordura pré + várias fases pós-gadolínio → curva cinética (captação persistente, platô ou washout).
- Subtração (pós − pré) para destacar o realce.
- DWI + ADC como complemento; alta resolução espacial e temporal (é sempre um compromisso).
A rotina de sequências
Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:
| Série | Papel |
|---|---|
| T2 / STIR | Cistos, edema, linfonodos, fibroadenoma |
| T1 3D FS dinâmico (pré + pós) | O centro: realce e curva cinética |
| Subtração | Isola o realce |
| DWI + ADC | Restrição, apoio à caracterização |
| T1 sem FS | Gordura, hematoma, linfonodos |
Armadilhas comuns
- Realce de fundo (BPE) alto: fora da 2ª semana do ciclo, mascara lesões — respeite o timing.
- Movimento: arruína a subtração — imobilize e oriente a respiração.
- Timing do contraste: a fase precoce define a captação — não atrase.
- Dobras/posicionamento da mama na bobina criam artefato.
- Ler DWI sem ADC (T2 shine-through).
Checklist rápido
- Decúbito ventral, bobina dedicada, mamas sem dobras; triagem de segurança de RM.
- Agendar na 2ª semana do ciclo quando possível.
- T2/STIR; dinâmico T1 3D FS (pré + fases pós); subtração.
- DWI + ADC; acesso venoso e injetora.
- Interpretação (curva, BI-RADS) é do radiologista.
E o simulador, que é de TC?
A mama é lida em bilateral e em subtração, comparando lado a lado e fase a fase. Esse hábito de comparar e de acompanhar uma estrutura entre imagens é raciocínio espacial puro — o mesmo que se treina ao ler axial, coronal e sagital no Reconstrutor e reformatar planos de um volume.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito de comparar e localizar que sustenta a leitura da mama.