Protocolo de RM de quadril: dois quadris para necrose, um quadril para o lábio
"RM de quadril" são, na prática, dois exames diferentes. Um cobre os dois lados com campo largo para caçar necrose e fratura; o outro mergulha num quadril só, em alta resolução, atrás do lábio e do impacto. A primeira decisão é qual deles fazer. Veja como se planeja.
A RM de quadril tem dois formatos que respondem perguntas distintas, e escolher o certo é metade do exame. O protocolo dos dois quadris, com campo largo, é para necrose avascular (osteonecrose), fratura oculta/de estresse, edema e metástase. O protocolo de um quadril, com FOV pequeno e alta resolução, é para o lábio acetabular e o impacto femoroacetabular (FAI). Este guia mostra a lógica dos dois. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Necrose avascular da cabeça femoral (corticoide, álcool, pós-trauma) — bilateral com frequência.
- Fratura oculta / de estresse, osteoporose transitória, edema ósseo, metástase.
- Lábio acetabular e FAI (cam/pincer); dor inguinal do adulto jovem/atleta.
- Tendinopatias (glúteos, iliopsoas), bursite, massas.
Protocolo 1 — os dois quadris (rastreio ósseo)
- Bobina de corpo/pelve, decúbito dorsal, pés em leve rotação interna; FOV amplo cobrindo os dois quadris e a pelve.
- Coronal T1 (o melhor para a linha de necrose e a fratura na medular óssea) + coronal STIR (edema ósseo) — o par que resolve a maioria.
- Axial e, se preciso, sagital do lado sintomático.
- O T1 é indispensável: a necrose e a fratura substituem/alteram a gordura medular e aparecem bem no T1; o STIR confirma o edema/atividade.
Protocolo 2 — um quadril (lábio e FAI)
- Bobina de superfície no quadril sintomático; FOV pequeno, cortes finos, alta resolução.
- DP/T2 FS nos três planos padrão + cortes radiais em torno do colo femoral — o plano radial "abre" o lábio ao redor de todo o acetábulo e mede o ângulo alfa (came).
- Artro-RM (contraste intra-articular, ato médico) aumenta a sensibilidade para lesões labrais e condrais.
Rotina de sequências (resumo)
| Objetivo | Séries típicas |
|---|---|
| Necrose / fratura (dois quadris) | Coronal T1 + coronal STIR (FOV amplo); axial do lado sintomático |
| Lábio / FAI (um quadril) | DP/T2 FS axial, coronal, sagital + radiais; T1 FS pós-artrografia se indicado |
| Partes moles / tendões | T1 + T2 FS/STIR conforme a queixa |
Armadilhas comuns
- Escolher o protocolo errado: lábio pede FOV pequeno/radiais; necrose pede os dois quadris + T1.
- Omitir o T1 no rastreio ósseo — a linha de necrose/fratura mora nele.
- FOV grande demais no lábio: perde a resolução; o lábio é pequeno.
- Não fazer cortes radiais quando a pergunta é FAI/lábio.
- Movimento e segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Definir o objetivo: rastreio ósseo (dois quadris) × lábio/FAI (um quadril).
- Dois quadris: coronal T1 + STIR, FOV amplo, pés em leve rotação interna.
- Um quadril: FOV pequeno, DP/T2 FS 3 planos + radiais; artro-RM se indicado.
- Sempre o T1 no rastreio de necrose/fratura.
- Triagem de segurança; imobilizar contra movimento.
E o simulador, que é de TC?
O quadril ensina duas coisas do raciocínio espacial: comparar lados num campo largo e criar planos radiais em torno de uma estrutura curva (o colo femoral). Treinar planos e reformatações em axial, coronal e sagital no Reconstrutor prepara direto esse tipo de planejamento.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos e reformatações em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para o quadril.