Protocolo de RM de sacroilíacas: coronal oblíquo, T1 e STIR na sacroiliíte
A RM é o exame que enxerga a sacroiliíte no começo, quando a radiografia ainda é normal — o edema ósseo aparece antes das erosões. Mas só se o plano estiver certo e o STIR estiver na rotina. Veja como se planeja.
A RM das articulações sacroilíacas é a ferramenta central para investigar a sacroiliíte — a marca da espondiloartrite axial (como a espondilite anquilosante) em pacientes com dor lombar inflamatória. Sua vantagem é ver a inflamação ativa (edema da medular óssea) antes de a radiografia ou a TC mostrarem qualquer alteração. Dois pilares sustentam o exame: o plano coronal oblíquo alinhado ao sacro e o par T1 + STIR. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante.
Quando esse protocolo é pedido
- Dor lombar inflamatória (jovem, dor noturna, rigidez matinal, melhora com exercício) — suspeita de espondiloartrite axial.
- Acompanhamento de sacroiliíte conhecida (atividade × dano crônico).
- Diferenciar causas inflamatórias de mecânicas/degenerativas ou infecciosas da dor sacroilíaca.
O plano que faz o exame: coronal oblíquo
As sacroilíacas são articulações oblíquas, e um coronal "reto" as corta em volume parcial, criando pseudoalterações. O padrão é:
- Localizador sagital → identificar o longo eixo do sacro.
- Coronal oblíquo (semicoronal) paralelo ao longo eixo do sacro — é o plano principal, que mostra as duas articulações de frente, com as porções ilíaca e sacral.
- Axial oblíquo (semiaxial) perpendicular a esse plano — complementa, sobretudo nas porções anterior e posterior.
- Cobrir ambas as articulações inteiras (ântero-posterior e cranio-caudal).
As duas perguntas: atividade e dano
A leitura da sacroiliíte separa inflamação ativa de dano estrutural crônico, e cada uma tem sua sequência:
| Série | Plano | Mostra |
|---|---|---|
| STIR ou T2 FS | Coronal oblíquo (+ axial) | Inflamação ativa: edema ósseo/osteíte, capsulite, entesite — o achado que define atividade |
| T1 | Coronal oblíquo (+ axial) | Dano estrutural: erosões, esclerose, metaplasia gordurosa, anquilose |
| T1 pós-gadolínio + FS (opcional) | Coronal oblíquo | Realce sinovial/ósseo — nem sempre necessário se o STIR já respondeu |
O edema ósseo subcondral em STIR, em localização e quantidade típicas, é o achado-chave de sacroiliíte ativa (base dos critérios de imagem para espondiloartrite). O T1 documenta o que já virou dano. Por isso os dois são inseparáveis — e o STIR nunca pode faltar.
Armadilhas comuns
- Coronal "reto", sem alinhar ao sacro: volume parcial simula alteração — sempre semicoronal ao longo eixo do sacro.
- Não fazer STIR/T2-FS: perde-se a inflamação ativa, que é o ponto do exame.
- Cobertura incompleta: incluir as articulações inteiras (anterior/posterior e cranio-caudal).
- Confundir achados normais (vasos, metaplasia gordurosa fisiológica, alterações degenerativas) com sacroiliíte — correlacione T1 + STIR.
- Movimento e segurança de RM como sempre (veja segurança em RM).
Checklist rápido
- Bobina de coluna/pelve, pelve centralizada e sem rotação; triagem de segurança.
- Localizador sagital → longo eixo do sacro.
- Coronal oblíquo paralelo ao sacro (principal) + axial oblíquo perpendicular.
- STIR/T2-FS (inflamação ativa) + T1 (dano estrutural) — os dois sempre.
- Pós-gadolínio só se necessário; cobrir as duas articulações inteiras.
- Correlacionar T1 + STIR para não superinterpretar.
E o simulador, que é de TC?
As sacroilíacas são o caso-símbolo do plano oblíquo alinhado à anatomia: sem inclinar o coronal ao sacro, o exame não presta. Treinar a reconhecer o sacro e as articulações em axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a definir planos oblíquos ao eixo de uma estrutura — prepara exatamente esse raciocínio.
Treine o raciocínio espacial
Abra o Reconstrutor e pratique planos oblíquos em casos DICOM reais, com janelas vivas e medições. É o hábito que transfere direto para alinhar o coronal ao sacro.