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Aprenda Protocolos de RM Tórax
RM Protocolos de RM · Medicina interna · ~8 min de leitura

Protocolo de RM de tórax: mediastino, parede, plexo e o sincronismo

No tórax, o pulmão é da tomografia — mas a ressonância brilha no mediastino, na parede torácica, no plexo braquial e nos vasos. O preço é domar dois movimentos ao mesmo tempo: o coração e a respiração. Veja como se planeja cada frente.

No tórax, a tomografia domina o parênquima pulmonar (ar e alta resolução são o terreno dela). A ressonância entra onde o contraste de partes moles e a caracterização importam: mediastino, parede torácica e ápice, plexo braquial e vasos — e sempre que se quer evitar radiação (jovens, seguimento) ou a TC ficou inconclusiva em partes moles. O grande desafio técnico é o duplo movimento — batimento cardíaco e respiração — que se doma com sincronismo (gating). Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço nem a orientação do fabricante. Estudos cardíacos e de angio-RM dedicados seguem protocolos próprios.

Quando esse protocolo é pedido

  • Massa mediastinal: caracterizar (cístico × sólido, gordura, timo, linfoma, bócio mergulhante, lesão neurogênica) e definir extensão.
  • Parede torácica e ápice — tumor do sulco superior (Pancoast): invasão de plexo, vasos subclávios, corpos vertebrais e forames.
  • Plexo braquial: trauma/avulsão, tumor (schwannoma, neurofibroma), síndrome do desfiladeiro torácico.
  • Vasos e caracterização quando a radiação deve ser evitada ou a TC foi inconclusiva.

As frentes da RM torácica

Cada alvo muda os planos e as sequências. Reconhecer qual frente é a pergunta orienta todo o exame.

  • Mediastino — pense em compartimentos (pré-vascular/anterior, visceral/médio, paravertebral/posterior): a localização já estreita o diagnóstico. A RM separa cístico × sólido (T2), acha gordura (in/out-phase, saturação) e avalia realce. No jovem, o timo normal ou hiperplásico pode confundir — o in/out-phase (queda de sinal por gordura entremeada) ajuda a diferenciar de timoma.
  • Parede torácica e ápice (Pancoast) — o T1 mostra a invasão da gordura extrapleural; planos coronal e sagital abrem o ápice para avaliar invasão de plexo, artéria/veia subclávia, corpo vertebral e forame neural — o que define ressecabilidade.
  • Plexo braquial — o pilar é o STIR/T2 de alta resolução em coronal oblíquo, alinhado ao trajeto do plexo (raízes C5–T1 → troncos → cordões, até a axila). Na avulsão pós-traumática procura-se a pseudomeningocele; nos tumores, a relação com os fascículos.
  • Vasos — a caracterização de invasão e a permeabilidade usam T1/T2 e pós-contraste; o mapa arterial/venoso dedicado é a angio-RM da aorta torácica (protocolo próprio).
Axial T2 (imagem real, em preparação). O axial mostra o mediastino (compartimentos anterior, médio e posterior), os grandes vasos e a parede — o terreno em que a RM complementa a TC.

Planejando por alvo: planos e cobertura

  • Base axial para todos: cobre mediastino, grandes vasos e parede.
  • Coronal e sagital quando o alvo é o ápice/parede: mostram a extensão craniocaudal e a invasão do sulco superior.
  • Coronal oblíquo alinhado ao plexo quando a pergunta é o plexo braquial — não corte no plano da mesa; siga a anatomia das raízes à axila.
  • Cobertura ajustada: para o plexo, das raízes cervicais à região axilar; para o mediastino, do ápice ao diafragma conforme a lesão.
  • FOV e bobina: torso array; para o plexo, considerar bobinas que cubram pescoço + ombro com boa resolução.

Domar o movimento

  • Sincronismo cardíaco (ECG) para estruturas junto ao coração e aos grandes vasos (raiz, mediastino médio).
  • Sincronismo respiratório (navegador/cinto) ou apneias para reduzir o borramento; treine a apneia antes.
  • Combinar os dois quando necessário — é o que torna o tórax um exame exigente.
  • Longe do coração (ápice, plexo alto), o gating cardíaco perde importância e o foco é o respiratório/movimento do paciente.

A rotina de sequências

Uma receita típica — que varia por serviço, campo magnético e fabricante:

SériePlanoPor que entra
T1 (com sincronismo)Axial (+ coronal)Anatomia do mediastino, gordura, planos, invasão da parede
T2 (± saturação de gordura)Axial + coronalConteúdo (cístico × sólido), edema, lesões
T1 in/out-phaseAxialGordura entremeada: timo/hiperplasia × timoma, timolipoma, teratoma
STIR (alta resolução)Coronal oblíquo (plexo) / coronal (ápice)Plexo braquial, ápice/Pancoast, lesões com edema
DWI + ADCAxialCaracterização e linfonodos
bSSFP / cine (opcional)Axial/coronalSangue claro, relação com vasos e pericárdio
T1 FS pós-gadolínioAxial + coronalRealce, invasão vascular/parede, componente sólido
Coronal oblíquo STIR (imagem real, em preparação). O coronal com supressão de gordura, alinhado ao plexo, é o melhor plano para o ápice e o plexo braquial (tumor do sulco superior, avulsão, invasão).

Armadilhas comuns

  • Esperar avaliar o parênquima pulmonar: isso é da TC — a RM foca mediastino/parede/plexo/vasos.
  • Sem sincronismo: o movimento cardíaco/respiratório borra tudo — use gating/navegador ou apneia.
  • Coronal não alinhado ao plexo: um corte no plano da mesa oblíqua o plexo e esconde as raízes — planeje o coronal oblíquo.
  • Timo normal do jovem realça e capta contraste — o in/out-phase evita confundir com timoma.
  • Não cobrir o ápice quando a pergunta é Pancoast — a invasão está na parede e no forame.
  • Segurança de RM e contraste como sempre (veja segurança em RM).

Checklist rápido

  • Torso array; definir o alvo (mediastino, parede, ápice/plexo, vasos); triagem de segurança/contraste.
  • Sincronismo cardíaco e/ou respiratório conforme a proximidade do coração.
  • T1 + T2 (± FS) axial/coronal; in/out-phase para gordura do mediastino.
  • STIR coronal oblíquo alinhado ao plexo/ápice; DWI.
  • T1 FS pós-gadolínio para realce/invasão; bSSFP se útil para os vasos.
  • Lembrar: pulmão é da TC; estudos cardíaco e de angio-RM têm protocolo próprio.

E o simulador, que é de TC?

Ler o tórax é entender relações no mediastino: o que está adiante e atrás dos grandes vasos, onde o tumor toca a parede ou o plexo, e em que compartimento a lesão mora. Treinar a reconhecer o mediastino, a parede e o ápice em axial, coronal e sagital no Reconstrutor — e a montar o volume na cabeça — prepara direto a leitura da RM torácica.

Treine o raciocínio espacial

Abra o Reconstrutor e pratique em casos DICOM reais nos quatro planos, com janelas vivas e reformatações. É o hábito que transfere direto para as relações do mediastino e do ápice.

Abrir o Reconstrutor

Conteúdo educacional. Sequências, sincronismos e uso de contraste são convenções típicas e variam por serviço, campo magnético e fabricante. Estudos cardíacos e de angio-RM têm protocolos próprios. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional.