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Aprenda Protocolos TC Angio de carótidas
TC Protocolos de TC · Angio (vascular) · ~9 min de leitura

Angio-TC de carótidas e vertebrais: do arco ao polígono de Willis

É o mapa vascular do AVC. Num único bolus, a angio-TC segue as quatro artérias que irrigam o cérebro — as duas carótidas e as duas vertebrais — da origem no arco aórtico até o polígono de Willis, caçando a estenose que solta o êmbolo.

A angio-TC de carótidas e vertebrais (angio de vasos do pescoço / troncos supra-aórticos) mostra as quatro artérias que sobem ao encéfalo. Como toda angio, é uma aquisição axial fina na fase arterial, lida depois em MIP, curved MPR e 3D. Seu alvo mais comum é a estenose da bifurcação carotídea — a fonte clássica de AVC isquêmico. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.

Quando esse protocolo é pedido

  • AVC isquêmico / AIT — procurar a fonte: estenose ou oclusão carotídea/vertebral, trombo.
  • Sopro cervical, estenose conhecida em seguimento, pré-operatório de endarterectomia/stent.
  • Dissecção carotídea ou vertebral (trauma, cefaleia/cervicalgia, Horner).
  • Sintomas vertebrobasilares (vertigem, diplopia, ataxia) — avaliar o sistema posterior.
  • Aneurisma, malformação, tumor do pescoço com relação vascular.

O timing: pegar a artéria antes da veia

No pescoço, o intervalo entre a artéria encher e a veia jugular encher é curto. A armadilha número um é a contaminação venosa: varrer tarde e as jugulares densas se sobrepõem às carótidas no MIP. Por isso usa-se bolus tracking (ROI no arco/aorta ascendente ou na carótida) com disparo no limiar, capturando o pico arterial. Injeção por bomba, acesso calibroso e flush de soro mantêm o bolus compacto.

Preparo, posicionamento e cobertura

  • Decúbito dorsal, cabeça neutra e imóvel; braços ao lado do corpo (no pescoço não se elevam os braços); orientar a não engolir nem falar durante a varredura.
  • Retirar prótese dentária removível quando possível — reduz artefato metálico sobre a bifurcação.
  • Cobertura do arco aórtico (origem dos troncos supra-aórticos) ao vértice (polígono de Willis) — cobrir o intracraniano é essencial: a lesão pode estar em tandem (pescoço + cabeça).

As quatro artérias

De cada lado sobem duas artérias:

  • Carótida comum → bifurca em carótida interna (ACI) — posterolateral, sem ramos no pescoço, vai ao cérebro — e carótida externa (ACE) — anteromedial, com ramos para a face. "Sem ramos no pescoço = é a interna" é a regra que separa as duas.
  • Artéria vertebral — sobe pelos forames transversos das vértebras cervicais e se junta à contralateral formando a basilar (sistema posterior).
TC axial do pescoço na fase arterial: as carótidas de cada lado do eixo aéreo-digestivo e as artérias vertebrais dentro dos forames transversos, todas brancas de contraste.
Imagem real de TC — corte axial do pescoço (fase arterial). As carótidas aparecem brancas de cada lado, e as vertebrais dentro dos forames transversos das vértebras. É a pilha desses cortes que gera o MIP e o curved MPR.

A imagem-mapa: o MIP do arco ao vértice

O MIP junta o volume num quadro só e a árvore arterial salta: dá para seguir cada vaso da origem no arco até o crânio, num panorama que é a "cara" da angio de pescoço. Como osso e cálcio também são densos, usam-se lajes/remoção de osso — e sempre se volta às fontes para medir.

MIP frontal dos vasos do pescoço mostrando o arco aórtico, as carótidas comuns ascendendo, as bifurcações, as carótidas internas e externas, as vertebrais e a circulação intracraniana até o polígono de Willis.
Imagem real de TCMIP (projeção frontal) dos troncos supra-aórticos: o arco aórtico em baixo, as carótidas e vertebrais subindo, as bifurcações e a circulação intracraniana (polígono de Willis) no alto. Um único bolus cobre do tórax ao encéfalo.

A bifurcação e a estenose

O ponto crítico é a bifurcação carotídea — onde o ateroma se instala e onde nasce a maioria dos AVC embólicos. A leitura mede o grau de estenose (critério NASCET: luz residual × diâmetro normal da ACI distal) e caracteriza a placa (mole × calcificada). A placa calcificada é uma armadilha: no MIP ela é tão branca quanto o contraste e pode superestimar a estenose — meça na fonte, com curved MPR perpendicular ao vaso.

Reconstruções

  • MIP: o panorama e o rastreio da árvore.
  • Curved MPR (CPR): desdobra cada carótida/vertebral num plano para medir a estenose ao longo do trajeto (como no protocolo de aorta).
  • Remoção de osso / VR: separa o crânio e a coluna dos vasos, útil na junção crânio-cervical e no intracraniano.

Armadilhas comuns

  • Contaminação venosa: timing tarde enche a jugular e polui o MIP. Dispare no pico arterial (bolus tracking).
  • Placa calcificada: superestima a estenose no MIP — meça na fonte / curved MPR ⟂.
  • Confundir ACI × ACE: a interna não tem ramos no pescoço; a externa dá ramos para a face.
  • Movimento / deglutição: borra a bifurcação. Oriente a não engolir.
  • Artefato de ombro e dentário: endurece o feixe na base do pescoço e na bifurcação — posicione e, se possível, retire próteses.
  • Não cobrir o intracraniano: perde lesão em tandem — cubra até o polígono de Willis.

Checklist rápido

  • Função renal/alergia; acesso calibroso; bomba + flush.
  • Cabeça neutra e imóvel, braços ao lado; orientar a não engolir; retirar prótese dentária removível.
  • Bolus tracking (arco/carótida) para pegar o pico arterial antes da veia.
  • Cobrir do arco aórtico ao polígono de Willis; aquisição fina isotrópica.
  • Entregar MIP e curved MPR por vaso; medir a estenose (NASCET) ⟂ ao eixo, na fonte.
  • Correlacionar sempre com os cortes axiais. A interpretação é do radiologista.

Treine a diferenciar os vasos no Reconstrutor

Seguir a carótida comum até a bifurcação, distinguir interna de externa e achar a vertebral no forame transverso é reconhecimento espacial plano a plano. No Reconstrutor você navega o pescoço em axial, coronal e sagital e reformata oblíquos — o hábito que faz a anatomia dos quatro vasos ficar automática.

Ache os quatro vasos

Abra um caso no Reconstrutor e siga cada carótida e vertebral do pescoço ao crânio, plano a plano. É a prática que transforma o MIP bonito em leitura segura da bifurcação.

Abrir o Reconstrutor

Conteúdo educacional. Timing, limiares de bolus tracking, cobertura, posicionamento e critérios de medida (ex.: NASCET) são convenções típicas e variam por serviço, aparelho e fabricante, e devem ser ajustados ao paciente. Não substitui protocolo institucional, diretriz do fabricante nem avaliação clínica profissional. As imagens são de TC real anonimizada, usadas para fins didáticos.