Protocolo de TC de crânio: as janelas de encéfalo e osso
É o exame da linha de frente — rápido, disponível e decisivo no trauma e no AVC. Simples de adquirir, a TC de crânio se lê em duas janelas: uma para o cérebro, outra para o osso.
A TC de crânio sem contraste é o primeiro exame na emergência neurológica: detecta sangramento, efeito de massa, hidrocefalia e fratura em minutos. A aquisição é simples; o que faz o exame é o posicionamento simétrico e a leitura nas janelas certas. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.
Quando esse protocolo é pedido
- Trauma cranioencefálico — hematomas (extradural, subdural, contusão), fratura, pneumocéfalo.
- AVC — excluir hemorragia antes da trombólise e buscar sinais precoces de isquemia.
- Cefaleia com sinais de alarme, rebaixamento do nível de consciência, convulsão, suspeita de hidrocefalia.
- Controle pós-operatório / pós-procedimento.
Sem contraste é o padrão
No trauma e no AVC agudo, o exame é sem contraste — o sangue agudo já é naturalmente hiperdenso. O contraste entra em outras perguntas (tumor, infecção, avaliação vascular), e a parte vascular tem protocolo de angio próprio.
Posicionamento e cobertura
- Decúbito dorsal, cabeça centralizada e simétrica (sem rotação nem inclinação) — a assimetria atrapalha comparar os dois lados.
- Alinhamento pela linha órbito-meatal; em equipamentos volumétricos, adquire-se fino e reformata-se o plano ideal.
- Cobertura do forame magno ao vértice, incluindo toda a calota.
- Aquisição fina, com reconstrução em kernel de partes moles (encéfalo) e kernel ósseo (calota/base).
As duas janelas — a mesma fatia, duas leituras
O crânio guarda densidades muito diferentes na mesma imagem: cérebro (~30–40 UH) e osso (centenas de UH). Nenhuma janela mostra os dois bem — por isso se lê a mesma aquisição em duas:
Janela de encéfaloWL ≈ 35 · WW ≈ 80
Janela ósseaWL ≈ 500 · WW ≈ 2500Muitos serviços ainda usam uma janela intermediária "para subdural" (WW estreita, ~150–200) para não perder coleções finas encostadas na tábua interna, que somem numa janela larga demais.
O que se procura
- Sangue agudo (hiperdenso): extradural (biconvexo), subdural (crescente), subaracnóideo (nos sulcos/cisternas), intraparenquimatoso.
- Isquemia: hipodensidade, perda da diferenciação cinzenta–branca, apagamento de sulcos, "fita insular".
- Efeito de massa: desvio da linha média, apagamento de cisternas, herniação.
- Hidrocefalia: dilatação ventricular.
- Fratura (janela óssea): não confundir com sutura (bordas escleróticas, simétrica).
Armadilhas comuns
- Ler só uma janela: a fratura some no encéfalo; o sangramento fino some numa janela óssea. Passe pelas duas (+ subdural).
- Cabeça torta: rotação simula assimetria e desvio. Centralize.
- Fossa posterior: endurecimento do feixe entre as rochas mascara lesões — cortes finos ajudam.
- Subdural isodenso (subagudo): procure o apagamento de sulcos e o desvio, não só a densidade.
- Movimento: borra tudo — imobilize e, se preciso, repita.
Checklist rápido
- Cabeça centralizada e simétrica; sem contraste no trauma/AVC agudo.
- Cobrir forame magno → vértice; aquisição fina; kernel de partes moles e ósseo.
- Revisar em janela de encéfalo, óssea e, quando útil, subdural.
- Reformatar coronal/sagital (fratura de vértice/base, subdural na convexidade).
- Procurar sangue, isquemia, efeito de massa, hidrocefalia e fratura. A interpretação é do radiologista.
Treine as janelas no Reconstrutor
Alternar encéfalo ↔ osso na mesma fatia e reformatar coronal e sagital é o gesto que revela a fratura e a coleção fina. No Reconstrutor você janela ao vivo um caso real de crânio e navega nos quatro planos — o hábito que faz a leitura da TC de crânio ficar segura.
Duas janelas, um exame
Abra o caso de crânio no Reconstrutor e alterne encéfalo ↔ osso na mesma imagem; reformate o coronal. É a prática que impede a fratura ou o sangramento fino de passarem batidos.