Protocolo de TC de tórax de alta resolução (HRCT): o parênquima e a doença intersticial
A HRCT lê o pulmão no detalhe do lóbulo secundário. É o exame da doença intersticial — e depende de três coisas: cortes finos em kernel pulmonar, uma série em expiração e olhar a distribuição.
A TC de tórax de alta resolução (HRCT) é o exame do parênquima pulmonar no nível do lóbulo pulmonar secundário — a unidade em que a doença intersticial se manifesta. Diferente da TC de tórax de rotina, aqui o foco é a arquitetura fina: septos, vasos, bronquíolos e os padrões (vidro fosco, reticulado, faveolamento, nódulos, air trapping). O protocolo depende de cortes finos em kernel de alta frequência, uma série em expiração e a leitura da distribuição. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.
Quando esse protocolo é pedido
- Doença pulmonar intersticial (fibrose/PIU, pneumonite de hipersensibilidade, sarcoidose, NSIP).
- Doença de pequenas vias aéreas (bronquiolite, air trapping) — a série em expiração é decisiva.
- Bronquiectasias, enfisema, investigação de tosse crônica/dispneia com radiografia inconclusiva.
Aquisição: fino, kernel pulmonar, expiração
- Cortes finos (≈1 mm), reconstruídos em kernel pulmonar de alta frequência — é o que resolve septos e bronquíolos.
- Em geral sem contraste; o exame é do parênquima, lido em janela de pulmão (revisar mediastino em janela de partes moles).
- Inspiração profunda sustentada; e uma série em expiração para revelar air trapping (áreas que não perdem ar/densidade na expiração).
- Volume isotrópico → reformatar coronal e sagital para ver a distribuição (ápice × base, central × periférico).
Ler por padrão e por distribuição
A leitura da HRCT combina o padrão (o quê) com a distribuição (onde):
- Padrões: vidro fosco, reticulado, faveolamento (favo de mel), nódulos (centrolobular, perilinfático, aleatório), consolidação, cistos, air trapping.
- Distribuição craniocaudal: predomínio em bases (ex.: PIU/fibrose) × ápices (ex.: sarcoidose, silicose).
- Distribuição axial: periférico/subpleural × central/peribroncovascular.
Armadilhas comuns
- Reconstruir em kernel de partes moles: borra a arquitetura fina — use kernel pulmonar.
- Esquecer a série em expiração: perde o air trapping da doença de pequenas vias aéreas.
- Inspiração insuficiente simula vidro fosco (atelectasia dependente) — oriente a apneia inspiratória; decúbito ventral ajuda a diferenciar do subpleural real.
- Ler só o axial: a distribuição craniocaudal pede coronal.
- Janela inadequada: use janela de pulmão para o parênquima e reveja o mediastino em partes moles.
Checklist rápido
- Cortes finos (~1 mm), kernel pulmonar, sem contraste (rotina).
- Inspiração sustentada + série em expiração (air trapping).
- Reformatar coronal/sagital; considerar decúbito ventral em casos selecionados.
- Ler em janela de pulmão (rever mediastino em partes moles).
- Descrever padrão + distribuição (ápice×base, central×periférico). A interpretação é do radiologista.
Treine os planos no Reconstrutor
Ver a distribuição de um padrão intersticial exige passar do axial ao coronal e sagital e percorrer o pulmão de ponta a ponta. No Reconstrutor você navega os quatro planos e ajusta janelas — o hábito que faz enxergar onde a doença predomina.
Padrão e distribuição
Abra um caso no Reconstrutor, ajuste a janela de pulmão e reformate o coronal para ver a distribuição do parênquima. É a base para ler HRCT.