Protocolo de TC de órbitas: cortes finos, axial e coronal
A órbita mistura osso fino, gordura, músculo e o globo — e a TC é rápida e precisa no trauma e no corpo estranho. O exame se resolve com aquisição fina lida em dois planos e duas janelas: osso e partes moles.
A TC de órbitas é o exame de escolha no trauma e na suspeita de corpo estranho (rápida, mostra osso e ar), e complementa a RM na celulite/proptose. A órbita é uma pirâmide de paredes ósseas finas preenchida por gordura, com o globo, os músculos extraoculares e o nervo óptico. O protocolo depende de uma aquisição fina isotrópica, lida em axial e coronal e nas janelas óssea e de partes moles. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.
Quando esse protocolo é pedido
- Trauma: fratura do assoalho/parede medial (blowout), herniação de gordura/músculo, enfisema orbitário, corpo estranho.
- Corpo estranho metálico — inclusive como triagem antes de uma RM.
- Celulite/abscesso orbitário (com contraste), proptose, avaliação óssea de massa.
- Pré-operatório e avaliação das paredes e do ápice orbitário.
Aquisição: fino, isotrópico, duas janelas
- Aquisição volumétrica fina (submilimétrica), isotrópica, cobrindo da borda orbitária superior ao assoalho.
- Sem contraste no trauma/corpo estranho; com contraste na infecção/massa (partes moles).
- Reformatar axial e coronal (o sagital ajuda no assoalho); ler em janela óssea E de partes moles — cada uma mostra metade da história.
- Orientar o paciente a não mover os olhos durante a aquisição.
Os dois planos
- Axial: nervo óptico em toda a extensão (globo → ápice → canal óptico), paredes medial e lateral, músculos reto medial/lateral.
- Coronal: assoalho e teto da órbita (blowout), músculos reto superior/inferior, relação com os seios etmoidal e maxilar.
Trauma e leitura
- Blowout do assoalho: descontinuidade óssea, herniação para o seio maxilar (sinal da "gota pendente"), aprisionamento do reto inferior — avaliar no coronal e sagital.
- Parede medial (lâmina papirácea): enfisema orbitário; conferir a integridade.
- Corpo estranho: metálico é hiperdenso (e contraindica RM); madeira pode ser hipodenso e simular ar — cuidado.
- Na celulite: pós-septal × pré-septal, coleção subperiosteal, extensão para o ápice — janela de partes moles com contraste.
Armadilhas comuns
- Ler só uma janela: osso e partes moles contam histórias diferentes — use as duas.
- Movimento ocular borra o exame — oriente o paciente a fixar/parar os olhos.
- Confundir madeira com ar (corpo estranho hipodenso) — correlacione com a história.
- Não reformatar coronal/sagital no trauma — o assoalho só se vê bem fora do axial.
- Cobertura curta deixando o ápice/canal óptico de fora.
Checklist rápido
- Cabeça centralizada; orientar a não mover os olhos.
- Aquisição fina isotrópica; sem contraste no trauma (contraste p/ infecção/massa).
- Reformatar axial + coronal (± sagital); cobrir teto → assoalho e o ápice.
- Ler em janela óssea E de partes moles.
- No trauma: assoalho/parede medial, herniação, aprisionamento, corpo estranho. A interpretação é do radiologista.
Treine os planos no Reconstrutor
Seguir o nervo óptico do globo ao ápice, ou olhar o assoalho no coronal e no sagital, é o raciocínio de plano que o exame de órbita cobra. No Reconstrutor você navega os quatro planos e reformata oblíquos — e treina o olhar para o trauma orbitário.
Dois planos, duas janelas
Abra um caso no Reconstrutor e reformate o coronal e o sagital das órbitas; alterne janela óssea e de partes moles. É a base para ler trauma e infecção.