Protocolo de TC de pescoço com contraste: espaços cervicais e o tempo do bolus
O pescoço é um empilhado de espaços cheios de vasos, linfonodos e vias aéreas — e a TC com contraste é o mapa. O exame se resolve com timing do contraste, cobertura da base do crânio às clavículas e o paciente parado (sem engolir).
A TC de pescoço com contraste avalia os espaços cervicais, os linfonodos, as vias aerodigestivas (faringe, laringe), as glândulas (tireoide, salivares) e os vasos. O contraste é essencial: realça vasos e mucosa, separa linfonodo de vaso e mostra abscessos. Os pilares do protocolo são o tempo do contraste, a cobertura (base do crânio às clavículas) e o controle do movimento (deglutição). Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.
Quando esse protocolo é pedido
- Massa cervical a esclarecer; linfonodomegalia e estadiamento de tumores de cabeça e pescoço.
- Infecção: abscesso, celulite, adenite, angina de Ludwig; corpo estranho.
- Glândulas salivares e tireoide (extensão), lesões congênitas (cisto branquial, tireoglosso).
Aquisição: timing, cobertura, sem engolir
- Contraste iodado IV com atraso adequado — em geral fase de realce de partes moles/venosa; para tireoide e vasos, ajustar o tempo.
- Cobrir da base do crânio às clavículas (incluir o mediastino superior quando houver massa que desce).
- Aquisição fina isotrópica → reformatar coronal e sagital; ler em partes moles (± osso).
- Não engolir durante a aquisição; braços ao longo do corpo; sem cadeia dentária no plano quando possível.
Raciocínio por espaços e por níveis
Duas chaves organizam a leitura do pescoço:
- Espaços cervicais (mucoso faríngeo, parafaríngeo, carotídeo, mastigador, parotídeo, retrofaríngeo, cervical posterior): localizar a lesão por espaço já estreita o diagnóstico e diz o que está deslocado.
- Níveis linfonodais (I a VII): descrever o linfonodo pelo nível padroniza o estadiamento; sinais de suspeita incluem tamanho, forma arredondada e necrose central.
Armadilhas comuns
- Deglutição/movimento: borra a laringe e a faringe — oriente o paciente a não engolir; use aquisição rápida.
- Timing errado do contraste: vaso mal realçado confunde com linfonodo — ajuste o atraso.
- Cobertura curta: não incluir a base do crânio ou as clavículas deixa doença de fora.
- Artefato dentário degradando o assoalho da boca/orofaringe — angule/reformate.
- Não reformatar coronal/sagital para a extensão craniocaudal e o assoalho da boca.
Checklist rápido
- Contraste IV com atraso adequado; paciente orientado a não engolir.
- Cobrir da base do crânio às clavículas (± mediastino superior).
- Aquisição fina isotrópica; reformatar coronal + sagital.
- Descrever por espaço e por nível linfonodal; procurar necrose central.
- Ler em partes moles (± osso). A interpretação é do radiologista.
Treine os planos no Reconstrutor
Ler o pescoço é navegar espaços e níveis — deslizar pelos cortes e reformatar para seguir um vaso, uma cadeia linfonodal ou uma massa que desce. No Reconstrutor você percorre os quatro planos e reformata oblíquos, treinando exatamente esse raciocínio.
Espaços e níveis
Abra um caso no Reconstrutor e percorra o pescoço nos quatro planos; reformate o coronal para seguir uma cadeia de linfonodos. É a base para ler o pescoço.