Protocolo de TC de ossos temporais: alta resolução e janela óssea
É o exame mais detalhista da tomografia: estruturas de frações de milímetro — ossículos, cóclea, canais — dentro do osso mais denso do corpo. Tudo depende de reconstruir finíssimo em janela óssea e ler cada orelha no seu plano.
A TC de ossos temporais (ou de mastoides / ouvido) é o estudo de altíssima resolução espacial da tomografia. As estruturas de interesse — a cadeia ossicular, a cóclea, o vestíbulo e os canais semicirculares, o conduto auditivo interno e o facial — medem frações de milímetro dentro do osso petroso, o mais denso do corpo. O protocolo gira em torno de uma aquisição submilimétrica reconstruída em kernel ósseo e lida em janela óssea, orelha por orelha. Este guia mostra a lógica. É material educacional para técnicos, tecnólogos e estudantes: não substitui o protocolo do seu serviço, a orientação do fabricante nem a avaliação médica.
Quando esse protocolo é pedido
- Otite média crônica e colesteatoma: erosão ossicular, da parede do ático (esporão), do tegme e do canal semicircular lateral.
- Perda auditiva condutiva (otosclerose, malformação/descontinuidade ossicular) e pré-operatório otológico / implante coclear.
- Trauma: fratura do osso temporal (longitudinal × transversa), deiscência, paralisia facial pós-traumática.
- Zumbido pulsátil, malformações e avaliação da mastoide antes de cirurgia.
Aquisição: finíssimo, isotrópico, osso
- Aquisição volumétrica submilimétrica (~0,5–0,8 mm), reconstruída em kernel ósseo de alta frequência — é o que resolve o ossículo e a parede do canal.
- Em geral sem contraste; o contraste entra em massa/tumor, complicação infecciosa ou avaliação vascular específica.
- Do volume isotrópico saem axial e coronal reformatados de cada osso separadamente (os dois lados quase nunca ficam no mesmo ângulo) — e planos oblíquos dedicados (Pöschl / Stenvers) quando se estuda um canal específico.
- FOV pequeno por orelha e matriz alta: a resolução é o objetivo do exame.
Os dois planos e o que cada um mostra
- Axial: cadeia ossicular (bigorna–martelo, o "cone de sorvete"), cóclea, canal semicircular lateral, CAI, CAE, aqueduto vestibular.
- Coronal: teto do tímpano (tegme), esporão (scutum) — chave no colesteatoma —, canal semicircular superior (deiscência), segmento timpânico do facial, assoalho.
Roteiro de leitura (o que percorrer)
- Orelha externa: conduto auditivo externo (atresia, exostose).
- Orelha média: aeração × opacificação; cadeia ossicular íntegra?; esporão e parede do ático; tegme.
- Orelha interna: cóclea (voltas), vestíbulo, três canais semicirculares, aqueduto vestibular (alargado?), CAI.
- Trajeto do nervo facial (labiríntico, timpânico, mastóideo) e a mastoide (pneumatização, erosão).
Armadilhas comuns
- Reconstruir em kernel/janela de partes moles: perde toda a resolução óssea — use kernel ósseo e janela óssea.
- Reformatar os dois lados no mesmo ângulo: cada osso temporal pede seu próprio axial/coronal.
- Cortes/FOV grosseiros: o ossículo e a parede do canal somem — fino e FOV pequeno por orelha.
- Confundir deiscência com volume parcial: confirme o canal semicircular superior em plano dedicado (Pöschl).
- Esquecer o esporão/tegme no coronal — é onde o colesteatoma se revela.
Checklist rápido
- Cabeça centralizada e simétrica; sem contraste na rotina (contraste p/ massa/complicação).
- Aquisição submilimétrica isotrópica, kernel ósseo.
- Reformatar axial + coronal de cada orelha; oblíquos (Pöschl/Stenvers) se preciso.
- FOV pequeno por orelha, matriz alta; ler em janela óssea.
- Percorrer externa → média (ossículos, esporão, tegme) → interna (cóclea, canais, CAI) → facial → mastoide. A interpretação é do radiologista.
Treine os planos no Reconstrutor
O osso temporal é o exemplo máximo de por que os planos e a reformatação importam: seguir a cadeia ossicular ou um canal semicircular exige passar de um plano a outro com precisão. No Reconstrutor você navega os quatro planos e reformata oblíquos — o hábito que faz enxergar estruturas de frações de milímetro.
A resolução é tudo aqui
Abra um caso no Reconstrutor e pratique reformatar axial e coronal de uma orelha, seguindo a cadeia ossicular e os canais. É a base para ler o osso temporal.